Cronicamente (In)viável: as muitas faces da felicidade

Felicidade, tal qual o amor, não tem receita padrão. Dia desses me perguntaram se eu era uma pessoa feliz. Matutei na pergunta e, de cara, pensei em responder que felicidade é um conceito muito amplo e aberto para ser enquadrado nesse ou naquele modelo. Que pessoas com estilos de vida diferentes definem e vivem felicidades diferentes.

Quem perguntou se preocupa comigo, o que por si só, me deixa bastante feliz. Porque nesse caso específico, o interesse é genuíno. A pergunta veio de alguém que eu tenho certeza de que me ama e quer me ver de bem com a vida eternamente, embora isso seja utopia. Reagiria diferente se a pergunta viesse daquele tipo de pessoa que imagina a vida como um ranking e mede seu modelo de felicidade com o dos demais, acreditando-se superior. Mas nenhuma vida vale mais que outra, nenhuma escolha é melhor que outra!

Para esses tipos, não tenho paciência de explicar nada. Já para quem não tem preconceito imbuído na pergunta e só não entende muito bem como funciona ser feliz fora do padrão, para os de coração aberto, explico que: se pode ser feliz estando ou não em um relacionamento; ganhando milhares de reais ou só algumas centenas por mês; morando em arranha-céus ou no apartamento simples de dois quartos; vestindo 38 ou 50; no bar com a turma de amigos ou maratonando séries da Netflix; aos 20, aos 30 e aos 43 (minha idade)…

Felicidade vai e vem

Vale ter em mente que aquilo que nos faz bem é o que também nos trará essa tão sonhada felicidade. Mesmo que seja algo simples como ler um livro ou dormir até mais tarde no dia de folga. E entender que, o que me deixa feliz pode não ter o mesmo efeito em outra pessoa. Porque o estado de felicidade depende de vários fatores, como os valores que alguém cultiva, o que cada pessoa prioriza na vida (o trabalho, a família, o lazer…), o momento que cada um está vivendo, os perrengues que surgem no caminho para resolver, a maneira como se encara os problemas.

A grande tragédia da nossa sociedade é que as pessoas perderam a capacidade de sentir dor e por isso buscam anestesiar qualquer efeito adverso de uma contrariedade. Do hedonismo meio infantil e sem limites aos medicamentos tarja preta, qualquer coisa que entorpeça servirá para que a dor não lateje, não incomode, não atrapalhe o caminho para a felicidade suprema.

Mas é impossível conquistar a felicidade suprema! Em algum momento sentiremos tristeza, teremos algum aborrecimento, ficaremos estressados, precisaremos chorar rios inteiros. Faz parte da vida ter frustrações. Ninguém é 100% feliz ou otimista o tempo todo e quem finge que é, está cavando um poço fundo e perigoso. Alguma coisa sempre vai incomodar e é até importante que esses incômodos apareçam, porque nos fazem rever posturas, retraçar caminhos, nos ajudam a amadurecer.

Expectativas x felicidade

A gente sempre espera alguma coisa. Da vida, do destino, dos outros. Zerar completamente as expectativas e aceitar de bom grado aquilo que chega é um exercício demorado, penoso, requer um grau de desapego que nem todo mundo tem. Uma certa dose de expectativa, honestamente, eu até acho bom que a gente tenha. Porque é uma forma de estímulo para seguirmos em frente, traz uma dose benéfica de esperança.

O que não pode é elevar as expectativas a níveis impossíveis, fechando-se em exigências que não podem ser supridas. Porque daí a esperança dará lugar à amargura e acredito que amargurados não conseguem enxergar a felicidade, mesmo que ela esteja ao alcance do nariz.

Tem fases na vida que parece que o destino testa nossa paciência. Os religiosos dirão que parece que Deus testa nossa fé. Ou então, é porque nesse jogo cósmico do qual fazemos parte, as chances de algo dar certo ou dar errado são iguais. Ou ainda, porque temos uma capacidade absurda para sermos teimosos e insistirmos nas coisas que lá no fundo sabemos que não são boas para nós. E quando elas desandam, botamos a culpa nessa ‘entidade’ chamada destino, ou xingamos Murphy.

O grande jogo da vida

Tem gente que vive um dia de cada vez e improvisa de acordo com a situação. Outros precisam ter tudo esquematizado de forma tão obsessiva, que quando algo sai do trilho, é um deus nos aguda. Outros ainda, entregam a sorte nas mãos do acaso e confiam na “improbabilidade infinita”. Tem até os que sequer acreditam em sorte e acham que tudo é questão de trabalhar duro e merecer. E, por fim, há ainda os que vivem em eterna roleta russa com a vida, o que de certa forma, ao menos para mim, não é bacana.

A grande sacada é perceber que quanto maior for a nossa expectativa, maiores também as chances da frustração ocorrer. E daí que é preciso aos poucos, exercitar o cultivo da gratidão pelo que a vida nos dá. Mesmo quando aquilo que consideramos um presente, não seja grande coisa do ponto de vista alheio. O que vale é o que nós sentimos, não o que os outros querem que a gente sinta.

Acredito que se cada um tentar um exercício de empatia e, de vez em quando, se colocar nos lugares uns dos outros, a visão do que é felicidade vai se expandir bastante e revelar que ela tem muitas faces. E cada um vestirá aquela que lhe der mais conforto e paz de espírito.

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Relacionamento ou parceria? O que você está vivendo?

relacionamentoTer um relacionamento não é o mesmo que ter uma parceria. São duas coisas bem diferentes. Você até pode ter um relacionamento e uma parceria simultaneamente, mas tem muita gente aí ostentando relacionamento sem viver uma parceria de fato. Há quem prefira estar com alguém para dar uma resposta à sociedade, para dizer por aí que está comprometido, sem se preocupar com o que aquela relação representa em sua vida, se existe uma troca, se está feliz. Há quem aceite ficar com alguém só para não ficar só, porque não aprendeu a amar a própria companhia, porque não aprendeu que a pior solidão é estar com alguém de corpo, mas não estar de alma.

Sobre a solteirice

Existe toda uma teoria a respeito da solteirice. A sociedade julga, as pessoas julgam? É como se estar solteiro fosse um carimbo de qualquer coisa muito ruim. Ou ninguém te quer, ou você deve ser muito difícil de lidar, vira um coitado ou coitada. Mas ninguém pensa que você pode estar solteiro por opção, simplesmente porque não encontrou alguém que mereça você. Não encontrou alguém com quem valha a pena dividir uma vida e criar uma parceria.

Isso quando você mesmo não é seu próprio inquisidor. Porque, sim, são muitas as pessoas que acham que precisam ter alguém de qualquer jeito, que querem ter alguém, não importa que alguém seja esse. Acabam se submetendo a relações nocivas (já falamos sobre relações nocivas aqui), aceitando conviver diariamente com a dor, o sofrimento e a infelicidade só para não ficarem solteiros. Vendendo para a sociedade a imagem de uma relação saudável, quando por dentro você está adoecendo. estampando risos falsos, contando aos amigos e familiares versões de histórias a dois que na realidade você não vive. Triste isso.

Melhor liberdade

A melhor liberdade que você pode cultivar é a liberdade emocional! Não depender de ninguém para ser feliz, não entregar a responsabilidade por sua felicidade a outras mãos. Entender que você é um ser completo e não uma metade atrás de outra metade. Que você está em busca de outro ser completo, para que as suas completudes conjuguem juntas os verbos amar, somar, compartilhar, compreender, respeitar, valorizar, ceder e tantos outros verbos tão importantes na vida a dois.

Não é qualquer relacionamento que te cabe, que é seu número. Aceite isso que dói menos. E se não te cabe, doe! Se liberte, se dê a oportunidade de reorganizar sua casa interior para receber um novo integrante. Se permita ter a possibilidade de conhecer outro alguém, de tentar de novo. De tentar quantas vezes forem necessárias até que encontre uma pessoa que caiba direitinho na sua vida, na sua rotina, no seu jeito de viver e de ver o mundo. Não aceite menos do que isso. Não aceite uma relação sem parceria. Não vista o que não cabe em você. Você não merece.

Relacionamento ou parceria?

Ninguém nasceu pra ser infeliz. E permitir que sua infelicidade seja causada por alguma coisa sobre a qual você tem o poder de escolha e decisão é burrice. E a gente sempre sabe se aquela relação está nos fazendo bem ou mal! No fundinho da alma e do coração, a gente consegue fazer uma avaliação mais realista sobre a relação que estamos construindo a dois. E mais do que ninguém, a gente é quem mais sabe se está feliz ou infeliz dentro daquele relacionamento.

Relacionamento qualquer casal tem. Mas parceria, meus queridos, aí  já é outra história. Porque a parceria pressupõe doação, cessão, dá trabalho. Porque um parceiro pensa em sua felicidade também, não apenas na dele. Um parceiro valoriza as suas necessidades, não apenas as dele. Relação parceira é aquela em que o diálogo prevalece pelo bem da relação. Ela acontece quando vocês têm o entendimento de que se relacionar não é fácil e exige dedicação. Parceria precisa de entrega. Se você tem um parceiro, ele entende suas limitações, entende sua TPM, se esforça para abafar seus medos, para evitar novas dores.

relacionamentoUm relacionamento com parceria não é perfeito. Nenhum relacionamento vai ser. Mas quando existe parceria, quando existe amor, vocês se esforçam para fazer a relação dar certo diariamente. Você aprende a conviver com os defeitos (porque as qualidades são ainda maiores), você aprende a lidar com as falhas (porque os acertos são mais frequentes e constantes), você aprende a lidar com o outro (porque o outro te faz bem, te faz feliz), vocês amadurecem juntos, crescem juntos, lutam juntos em prol da relação.

Avalie. Ainda dá tempo

Se você hoje tem um relacionamento, avalie. Pare nesse exato momento e se pergunte se você tem ao seu lado um parceiro. Se a resposta for sim, abra um sorriso e agradeça. Se a resposta for não, não precisa abaixar a cabeça. Sorria também, por ter identificado isso nesse momento e por ter aberto uma janelinha em sua vida para dar uma velha e gostosa escapada. Se você não tem um parceiro e acabou de descobrir isso, respire fundo, assuma o controle de sua vida, se liberte e vá ser feliz. Nunca é tarde para recomeçar, especialmente se sua felicidade está em jogo. Não se conforme com um relacionamento. Não se acomode. Se não for parceiro, não vale a pena se relacionar.

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Escolha ser feliz

Eu fiz uma escolha em minha vida, eu escolhi ser feliz. Sei que, ainda assim, nem tudo acontece do jeito que planejei e nem todas as minhas vontades são saciadas. Mas eu escolhi ser feliz, e por causa desta escolha, aprendi a aceitar as perdas que sofri ao longo do caminho e a abrir os braços para as novidades que se apresentam.

felicidadeComo eu escolhi ser feliz, aprendi a amar novamente, a me permitir de novo, me entregar, acreditar quantas vezes forem necessárias. Embora tenha escolhido ser feliz, o riso não estampa a minha face todo o tempo. Choro, fico triste, tenho meus medos, sofro, sinto dor. Mas nestes momentos, lembro da minha escolha, e esta lembrança sempre me motiva a seguir em frente e ter esperanças.

Inevitavelmente, o riso volta. É uma questão de escolha, e eu escolhi ser feliz. Faça esta escolha você também!

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Especial Semana da Mulher: Cinco dicas para sua vida continuar um carnaval eterno

O texto escolhido para fechar a série Especial Semana da Mulher é de autoria da escritora e terapeuta holística Lygya Maya, que atua com motivação pessoal e autoconhecimento. Selecionei este material, também publicado no blog da própria autora e encaminhado ao Conversa via email, porque acredito que toda dica para ajudar as pessoas a se sentirem melhores consigo mesmas é válida. Independente de ser mulher ou homem, da orientação sexual, dos desafios enfrentados, do saldo da conta bancaria, o primeiro passo rumo ao nosso próprio bem-estar é sempre nosso. Adversidades, todos enfrentaremos sempre, coletivas (tragédias sociais, catástrofes naturais) e particulares. Mas é preciso encontrar motivos no nosso dia a dia para sorrir e seguir em frente, do contrário, só haverá no mundo um bando de gente doente, enriquecendo os fabricantes de anti-depressivo (que aliás, só atenuam o sofrimento, anestesiam, mas não ensinam a amadurecer e lidar com a dor). Felicidade plena é ilusão, pois somos humanos e uma dose de tristeza e desânimo são normais, senão seríamos máquinas, incapazes de sentir. Mas, momentos de felicidade, que nos dão forças para superar aqueles de aflição, são sempre possíveis e, com um pouco de vontade em encontrar equilíbrio e serenidade, podem se tornar tão constantes que pareçam eternos. A todas as mulheres – e homens – que acompanharam a série ao longo da semana e que diariamente nos brindam com visitinhas, comentários, atenção e carinho virtual ou presencial, desejamos “momentos de felicidade eterna” cada vez mais frequentes. Um beijo no coração de vocês!

Cinco dicas para sua vida continuar um carnaval eterno

*Lygya Maya

A terapeuta Lygya Maya, através de dicas simples, acredita que todos podemos transformar a alegria "fake" dos dias de Carnaval em motivação genuína para viver existências mais plenas e pontuadas de momentos de felicidade autêntica

Já pensou se todos os carnavalescos fizessem da sua alegria e felicidade durante o Carnaval uma rotina? Digamos que essa força viria do “interior” de cada um, fazendo parte do dia a dia, que fantástico seria!

Estou me referindo à alegria de um sorriso contagiante vindo das profundezas da alma.  Assim como cumprimentar um estranho sem medo de rejeição, pois nossa felicidade é contagiante. E o sentimento de gratidão por estarmos vivos e respirando, possuindo o poder de imaginar o inimaginável em qualquer momento que resolvemos assim fazer.

Está comprovado. É possível. Caso contrário, como explicar tantos pobres do Rio de Janeiro descendo o morro para se exibir na avenida, mostrando suas fantasias  caríssimas?  Sabe por quê?  Porque eles se sentem orgulhosos de serem reis e rainhas no momento em que desfilam na avenida sua alegria para os turistas e para a classe média rica. Dependendo da escola, as fantasias custam R$1.200,00, mas certas fantasias de luxo custam mais que R$30.000,00. Muitos foliões pagam prestações o ano inteiro para ter esta oportunidade no Carnaval.

Que sentimento é este, passado de geração a geração, para sentir um “algo a mais”?  Será que ele poderia ser usado para a felicidade depois do período de Carnaval?

Você por acaso já imaginou seus sonhos considerados impossíveis desfilando todos os dias na sua visão, na sua mente, até serem alcançados pela determinação de seu coração e paixão por uma vida melhor? Todos os dias, para o resto de sua vida?

Alguma vez já lhe disseram que o mesmo desejo e paixão que você devota cegamente para a sua escola ou seu bloco ganhar no Carnaval, podem ser usados para seu sucesso pessoal e profissional?

Com a mesma intensidade, o desejo do prêmio de primeiro lugar para nossa escola preferida pode e deve ser usado para que nossos sonhos pessoais sejam manifestados, depositando uma mensalidade em nossa conta bancária da poupança emocional até conquistar a vitória eterna.

Há alguns anos atrás eu pensei exatamente isso e criei a minha Escola de Samba intitulada “Unidos ao Sucesso Ilimitado”, e até hoje, todos os dias, usufruo dos resultados positivos desta decisão.  Dificilmente tenho momentos tristes em minha relação com a vida e quando um desafio pinta na trajetória do desfile como, por exemplo, um salto alto incomodando, torno-me criativa e o problema torna-se passageiro. Sabe por quê? Porque o espírito carnavalesco dentro de mim é um vencedor nato, um espírito brasileiro que sempre dá um jeitinho de alcançar a felicidade custe o que custar. Ninguém me tira o sabor da vitória por eu ter me tornado uma campeã absoluta em relação aos meus desafios.

De uma maneira ou de outra, fazemos no Carnaval o que não fazemos no dia a dia com a desculpa de que tudo é válido nesta época, concorda? Pois é, só que possuímos livre arbítrio para sermos feliz o ano inteiro.

Para os que pensam que esta é uma ideia impossível, assim será, pois tudo o que focamos, manifestamos.  Já para as pessoas que sentem uma pitadinha de curiosidade e até atrevimento em agir carnavalescamente e “sadiamente” todos os dias, aqui vão algumas dicas:

1.    Acorde pela manhã sorrindo e pensando que hoje é dia de ser feliz e agir como tal. Se pensar assim, sem dúvida seu dia vai ser positivo.

2.    Cante alto.  Quem canta seus males espanta. Certíssimo!

3.    Dance a qualquer momento. Dançar é movimento. Movimento ajuda a ação. E ação leva a emoção de alegria, saúde e bem estar. Mas em qualquer momento mesmo? Sim, até durante uma reunião de negócios, por exemplo. Eu explico: Você está numa reunião enfadonha e seus olhos estão querendo fechar. Você está desconfortável e quer sair dali de uma maneira educada. Simplesmente peça licença e vá ao banheiro. Chegando lá, olhe-se no espelho (caso tenha um, senão não há problemas) e dance o que tiver vontade de dançar, sem vergonha do que está fazendo. Depois de alguns minutos revigorantes, volte pra reunião com a cara mais lavada do mundo.

4.    Sinta-se como um rei ou uma rainha. Nada como sentir o “poder” de ser o que quiser independente da posição social, condição financeira, raça ou religião.

5.    Sorria.  Para a vida e para todos.

Caso você decida levar minhas dicas a sério, garanto que muitas surpresas boas irão aparecer e até verdadeiros milagres poderão acontecer.

Escrevo com firmeza sobre isso por que possuímos o poder de escolha, sendo oficialmente dia de Carnaval ou não.

A fórmula é feita da seguinte forma: nos autoconvencer, mentalmente, emocionalmente, espiritualmente e fisicamente, de que somos capazes de nos sentir vitoriosos em nossos sonhos, carnavalescos ou não.  Assim como conseguimos ser  felizes no Carnaval, conseguiremos isso também no dia a dia, sem dúvida.

É maravilhoso ver a alegria dos foliões no Carnaval.  Ao vê-los felizes como uma criança em um dia de domingo, escrevi este artigo, inspirada pela música Imagine de John Lennon.

*Lygya Maya é escritora, terapeuta holística e palestrante. Desenvolveu sua carreira nos Estados Unidos, onde atuou na Companhia do mestre em motivação Anthony Robbins. É autora do e-book Ame as Emoções que Você Odeia (2008), disponível em www.lygyamaya.com.br.

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Acompanhe os outros posts da série:

>>Especial Semana da Mulher: “Nem com uma flor”

>>Especial Semana da Mulher: Relógio biológico x Relógio de ponto

>>Especial Semana da Mulher: Um ser de petálas e espinhos

>>Especial Semana da Mulher: A beleza de ser feminina

>>Especial Semana da Mulher: Papel feminino nas organizações ainda é restrito

>>Especial Semana da Mulher: Sexo frágil e a Aids

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Felicidade, coragem e auto-conhecimento no divã do cinema

Mercedes é muito feliz com o marido, mas sente que nem tudo está perfeito

*Texto da jornalista Giovanna Castro

Confesso logo de cara que a chancela Globo Filmes acompanhada da chancela da produtora Lereby não são exatamente referências de bom cinema para mim. É comum eu ter uma certa má vontade quando vejo essa dupla nos créditos de algum filme. Só que me surpreendi esta semana quando, na minha zapeação diária, encontrei o anúncio do filme “Divã” em um canal fechado. Na verdade, minha curiosidade foi despertada pela atriz principal, Lília Cabral, que eu gosto bastante e que, apesar de quase nunca protagonizar as novelas globais, volta e meia rouba a cena de novatas. Aquelas que, por sua fotogenia e beleza, acabam ocupando posições que nem sempre merecem. Pensei comigo mesma: “Vamos ver o que esse filme pode me oferecer…”

Pois é, “Divã”. Eu assisti a peça quando ela esteve em cartaz aqui em Salvador há alguns anos e gostei bastante porque eu me interesso muito por essa coisa de terapia, análise, psicologia. Não sou profunda entendedora, mas consigo me virar um pouco com minhas próprias inquietações. Quanto ao filme, ele conta a história de uma mulher que já chegou à casa dos 50, se considera feliz, bem casada, com filhos encaminhados, bem resolvida e que costuma repetir que “se tivesse algum problema na vida não seria por falta de felicidade”.

Mas é exatamente este o pulo do gato da peça e que foi tão bem traduzido no filme. Não estamos falando aqui de uma obra de arte, mas de um filme eficiente e despretensioso que cumpre sua proposta, importante ressaltar. A felicidade de Mercedes é uma felicidade do costume, da acomodação. A satisfação de estar com o homem (José Mayer é o marido Gustavo) que ela um dia amou e com quem construiu a vida, mas com quem não desfruta mais de momentos apaixonados e empolgantes. Mercedes, no entanto, só vai se dar conta disso quando começa a frequentar a terapia. No primeiro dia frente a frente com o analista ela revela que não sabe porque está ali sentada naquele divã. O que a levou até lá, ela vai descobrindo aos poucos.

Incomodada com o marasmo do casamento, Mercedes se lança em novas aventuras

Mercedes começa a se incomodar com as esquisitices do marido, a indiferença, a falta de atenção, o comodismo, a falta de tato, até o velho futebolzinho com cerveja em frente à TV. Ela percebe e divide com a melhor amiga que o marido a está traindo e leva isso como uma coisa natural, aparentemente, até que resolve começar uma história com um rapaz bem mais jovem, interpretado pelo gato Reinaldo Gianechinni. Mercedes se sente renovada, viva outra vez e se depara com o marasmo que é sua feliz vida de casada. Ela diz que não foi amor o que sentiu pelo moço, mas fica devastada depois que ele decide acabar com o namoro porque quer ter filhos, uma família e encontrou uma “menina jovem que está louca para ter um filho”.

Voltei então a um pensamento que me assalta quase cotidianamente, que é “o que é felicidade?”. Acredito que cada pessoa tem a sua própria definição, é lógico, mas o conceito de felicidade anda tão deturpado, que já não se sabe onde se quer chegar. Quanto mais o tempo passa, confio mais um pouco naquele ditado que diz que não existe felicidade, existem, sim, momentos felizes que a gente deve aproveitar ao máximo até que outro momento igual apareça.

A felicidade contemporânea anda muito ancorada nas posses e não nas relações pessoais que acabam se mostrando a maior riqueza que um ser humano pode ter. Um dos motivos que me levaram a frequentar a terapia foi exatamente esse, a constatação de que se relacionar com as pessoas pode ser uma fonte muito farta de momentos bons e felizes.

À medida que o filme se desenvolve, é como se Mercedes se transformasse. Mais do que repicar o cabelo – simbologia usada pelo diretor para mostrar as mudanças da personagem – ela evolui internamente e se fortalece, até se separar do marido, atitude da qual ela parece não se arrepender, mas que a faz sofrer muito.

Como muitas mulheres, Mercedes cristaliza suas mudanças internas com um novo corte de cabelo

Fiquei pensando, poxa, recomeçar a vida aos 50, sair de um casamento longo, encarar os filhos indo passar temporadas com o pai ou viajar com ele, voltar ao mercado dos relacionamentos amorosos (Mercedes volta a se apaixonar, desta vez por um garoto de 19 anos, intepretado pelo gatinho Cauã Reymond). É preciso mesmo muita coragem e vontade de viver para se expor a todas essas mudanças que são naturais ao longo da vida. Ela consegue se reerguer, sempre tentando temperar o sofrimento com um pouco de humor e seguindo em frente.

É uma forma positiva de encarar a vida e fica ainda mais tocante quando é interpretada por uma bela atriz. Me emocionei várias vezes com a atuação de Lília e me transportei para aquela situação me perguntando se se eu estivesse naquela posição, conseguiria lidar tão bem com tantas emoções e sentimentos e ainda sair forte e segura do outro lado. É uma dica minha para quem gosta de pensar na sua subjetividade, nas coisas que realmente importam na vida, o nosso desenvolvimento pessoal e auto-conhecimento. Mas vá preparado para se divertir, não para sofrer.

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“Ano Novo, Vida Nova”. Prometa o que pode cumprir

Receita de sucesso existem várias. Cada um tem a sua ou adota uma em livros. Ou ainda, depois de fazer anos de terapia e contratar um coach (espécie de personal trainer para o desenvolvimento pessoal). Venha de onde vierem as receitas de sucesso, o importante é que todas visam um único objetivo: melhorar o nosso ser e estar no mundo e nos fazer encontrar um caminho para a felicidade, que mesmo que não seja plena -, uma vez que estamos sempre desejando alguma coisa e não conseguindo todos os desejos -, ao menos que nos faça conciliados conosco, com os outros e com a vida. Como 2009 está acabando e chegou aquele momento clássico do exame de consciência e das listinhas de promessas de ano novo, “promessas de uma nova vida”, acredito que valha a pena publicar o artigo da coach Lygya Maya, ela mesma uma mulher que passou por várias dificuldades na vida, até encontrar o caminho para o seu sucesso, pelo menos para aquilo que a faz feliz. Mesmo correndo o risco de algumas pessoas interpretarem as palavras da autora como auto-ajuda ou filosofia de almanaque, recomendo a leitura. Até porque, a psicologia, a psicanálise, as investigações fisolóficas, se for reparar bem, servem todas de apoio para que, uma vez conciliados, centrados, possamos nos auto-ajudar. Pensem nisso e aproveitem as lições de Lygya Maya:

Como ser bem sucedida nas resoluções de Ano Novo

*Lygya Maya

Hora de começar a pensar na faxina de ano novo

Por que algumas pessoas são mais bem sucedidas que outras nas resoluções de Ano Novo? Por que, entra ano e sai ano, as pessoas não cumprem as promessas de fazer academia, perder peso, estudar ou de mudar determinados hábitos?

Comecei a vida com poucas vantagens. Não cheguei a cursar faculdade, passei fome na infância, fiquei sem pai aos nove anos e era limitada em minha autoconfiança e nas finanças. Até que um dia, cansada dos desafios para sobreviver, me perguntei por que algumas mulheres são mais bem sucedidas que outras.  A resposta desta pergunta mudou minha maneira de entender como obter sucesso na vida.

Comparecendo a seminários em diversos países sobre sucesso profissional e pessoal, pude constatar que as razões para se alcançar o sucesso já foram descobertas e vem sendo discutidas e divulgadas há mais de dois mil anos.  E descobri que há algo comum entre os antigos filósofos e os professores e especialistas da atualidade: todos concordam que, para obtenção do sucesso, é necessário autodisciplina.

Um dos maiores especialistas no assunto, o norteamericano M. R. Kopmeyer, autor de quatro livros com dicas de sucesso, disse uma vez que “há milhares de fórmulas de sucesso que descobri em meus estudos e experiência, mas nenhuma vai funcionar se você não tiver autodisciplina”.

A autodisciplina é a chave da nossa vitória pessoal. É a qualidade mágica que abre todas as portas para nós e faz tudo se tornar possível. Com autodisciplina, uma pessoa comum pode se tornar extraordinária, desde que tenha talento e inteligência suficientes que o guiem para frente. Já uma pessoa sem autodisciplina, mesmo que tenha tudo nas mãos, como educação, oportunidades e dinheiro, dificilmente conseguirá alcançar mais do que mediocridade.

Pode ser que você pense que será difícil ter autodisciplina, já que não tem tempo, energia ou dinheiro. E essas são desculpas que podemos usar para NÃO fazer algo. Então aqui vão três dicas para que não haja sabotagem neste assunto:

1.    Combine com uma amiga para que, uma vez por semana, ela questione sobre suas resoluções, por e-mail ou telefone.

2.    Antes de dormir, escreva suas decisões em um papel e no dia seguinte cumpra o que escreveu.

3.    Conte para os amigos que está progredindo, assim fica mais difícil voltar atrás e sabotar o que seu coração deseja.

Também é bem-vinda a ajuda de profissionais no ramo de autodesenvolvimento para obter os melhores resultados possíveis nas áreas profissional e pessoal. Todos os grandes líderes mundiais têm um ou mais especialistas de estratégia mental e emocional, que os guiam em direção à vitória de forma rápida e eficiente, assim como os personal trainers  ajudam as pessoas a se prepararem fisicamente, sem prejuízos à saúde.

Caso você já tenha autodisciplina e esteja pronto para conquistar seus desejos em 2010, serei sua fã e adoraria saber de suas vitórias.

Espero que este artigo tenha ativado sua consciência e paixão para desenvolver um trabalho de autodisciplina divertido, envolvido e compartilhado com seus amigos e concentrado na direção do sucesso em suas resoluções de Ano Novo.

Ano Novo, Vida Nova!

* Lygya Maya é coach e autora do e-book Ame as Emoções que Você Odeia, disponível em www.lygyamaya.com.br.

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Porque o importante é ser feliz

felicidadeHoje eu tentei escrever sobre tanta coisa. Comecei diversos posts, sobre diversos assuntos. Apaguei, recomecei, apaguei. Às vezes o assunto chama por nós. Acho que quem escreve sempre passa por isso, aquela sensação de que hoje o tema será aquele especificamente. É por isso que hoje eu vou falar de felicidade, das pequenas coisas, dos detalhes. A correria cotidiana fecha nossos olhos à beleza da simplicidade. Nos envolvemos em rotinas tão cansativas que muitas vezes nem o riso dá as caras em nosso rosto. O semblante cansado começa o dia pouco dormido, as olheiras saltitam dos olhos. Dormimos e acordamos como máquinas programadas. Mas somos humanos. Podem até nos tirar a paciência, o humor, mas não podem nos tirar a condição de humanos. E isso não é pouco, não.

Resolvi falar de felicidade ao perceber o quanto a felicidade tem-se tornado mera palavra listada em dicionário. Sinto as pessoas mais fechadas, mais tristonhas, emburradas. A gente não consegue mais dar conta de tudo o que é preciso. Trabalhar, estudar, cuidar de casa, da família… É muita obrigação para uma pessoa só. No final, a sensação de que não deu tempo de fazer tudo é avassaladora. Quem nunca passou por isso, não é? E no meio disso tudo, o namorado, noivo, marido, paquera… Eu sei que não é fácil. Vivo isso diariamente, nessa correria insana em busca de um lugar ao sol. Mas aprendi a olhar ao redor. E embora as perspectivas não sejam as melhores, ainda assim é possível ser feliz. Porque a felicidade, gente, é feita de momentos. São pequenos momentos que fazem tudo valer à pena.

A gente não sabe como vai ser o amanhã. Vivemos na espectativa de que vamos realizar sonhos que parecem nunca acontecer. E o presente vai passando despercebido, na busca frenética pelo tal do futuro, o salvador, a luz no fim do túnel, a meta. Claro que isso é importante. Mas é tão importante quanto aproveitar os momentos presentes. Sabe aquele amigo com quem você nunca mais falou? Vocês viveram tanta coisa juntos e agora quase não se encontram. Por que não transformar em presente as boas lembranças do passado? Por que não viver essa coisa boa agora, por que não lutar pra tê-lo de volta? FelicidadeAndamos tão entretidos com os futuros projetos que estamos esquecendo de ser felizes agora. O agora é importante. O agora é o futuro do ontem.  É o passo do amanhã. É o presente do hoje.

A felicidade não é um bichinho que anda escondido por aí. É uma construção. Uma construção pessoal de cada um. Às vezes nos basta tão pouco para um riso despretensioso, para um abraço apertado… Mas andamos sempre tão envolvidos com as tarefas diárias que esquecemos disso. Esquecemos de olhar para o lado, de dar um abraço apertado, de rir do acaso… Esquecemos de olhar para o caminho, de cumprimentar as pessoas, de construir novos laços. Deixamos de lado os momentos singelos, aqueles em que nada fazíamos, apenas éramos felizes. Momentos dedicados a não fazer nada, a sentar na areia da praia, a caminhar por aí, a fotografar o mundo, a cantar em voz alta, a ligar para alguém especial… Remoemos acontecimentos ruins, guardamos rancor, incentivamos a angústia…

As exigências da sociedade moderna são assustadoras. Individualismo, egoísmo, competição cruel… O capital virou o senhor de chicote na mão punindo um escravo fujão. É desleal a concorrência. Mas, como comecei dizendo nesse post, somos humanos. E a felicidade faz parte disso. E ela está sempre dentro de nós, doidinha para rasgar nosso peito e se mostrar ao mundo. A felicidade individual pode fazer milagres às convivência social. É só você sorrir mais, tratar bem às pessoas, pedir por favor e obrigada…  É só você se descobrir merecedor dessa felicidade, compreender a importância do riso, acreditar que os momentos mais simples podem estar recheados de belas surpresas. E quando a felicidade tentar brincar de se esconder, é só lembrar que só cabe a você a responsabilidade por tê-la de volta. Ser feliz é responsabilidade sua. E assim será, sempre!

Vamos então nos esforçar um pouquinho mais. Vamos ser felizes!

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Feliz Páscoa meninas e meninos!

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Não importa se você é cristão, judeu ou agnóstico. Se na sua casa hoje é dia de banquete regado a muito bacalhau, dendê (para os baianos) ou estão todos em jejum completo, purificando a alma. Se você jejua por fé, por solidariedade ao martírio de Cristo (revivido na carne dos despossuidos da nossa sociedade) ou porque está de olho naqueles ovos de chocolate do domingo. A Páscoa, assim como o Natal, ou o São João para nós, nordestinos, independente do apelo religioso ou comercial, é um pretexto, e dos mais gostosos, para reunir-se com amigos, parentes, conhecidos. Ao redor da mesa, provando um pouquinho de cada prato, existe o sentimento de pessoas que querem estar juntas, querem compartilhar, rir, fazer brincadeiras umas com as outras, esquecer os problemas e a crise econômica mundial ao menos por um dia. Nós todos merecemos gotas de paz nas nossas vidas aceleradas. Por acreditarmos que felicidade é um sentimento que quanto mais você divide, mais cresce, desejamos a todos vocês, meninas e meninos, uma deliciosa Páscoa!

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Ah, o amor… em uma de suas facetas

Eu te amoNossa vida está repleta de conceitos, de definições. Para tudo temos uma explicação, qualquer que seja. Para tudo temos uma justificativa. Os argumentos, estes nunca nos faltam, por mais absurdos que sejam. Mas viver não seria tão magnífico se pudéssemos resumir em tão pouco nossa existência. Por isso nasceu o amor. Para contradizer, confundir, embaralhar. O amor tem razões próprias. Razões que fogem da nossa compreensão. Razões que ousamos dizer entender.

“E ele era o senhor de si, até que conheceu o amor”. É assim. Mesmo. Nestes termos. Somos senhores de nós mesmos até conhecermos o amor. Entregamos o posto de senhor a ele. Entregamos de bom grado. Nem sentimos que o estamos fazendo. Entregamos porque o amor é assim. Ele preenche cada centímetro do corpo e da alma. Ele nos alimenta. De uma alegria e felicidade plenas. De uma sensação gostosa. Gostosa de gosto. É quando tudo vale a pena só por gostar de gostar de quem gosta de nós.

Ama, apenas, quem sente. Não o amor, em si, porque talvez, em si, não exista amor. O amor é um conjunto. Um amontoado. Uma mixagem de coisas. De sentimentos que, somente juntos, transformam-se em amor. Não ama quem desconfia. Não ama quem desafia. Não ama quem ameaça. Não ama quem não respeita. Não ama quem trancafia. Não ama quem é desonesto, nem quem não nos deixa respirar. Não ama quem não se entrega, não ama quem não se esforça, não ama quem não se expõe.

O amor não é. O amor “são”. São todas estas manifestações, vezes correlatas, vezes desconhecidas, outras incômodas. Assim. O amor é um horizonte. Passamos a vida acreditando que um dia o alcançaremos, mas ele mantém-se distante, para que nunca percamos a vontade de persegui-lo. Ele está ali. A todo instante, ali, nunca aqui. Para que não cansemos dele. Para que não nos acomodemos por termos dissecado suas entranhas. Para que descubramos uma nova faceta, um novo vértice a cada tentativa.

AmorEle flui. Transforma. Metamorfoseia. Ele é o desconhecido. É o tudo. A síntese, tão difícil de ser feita. O amor não é traduzível, mas traduz. Uma fase, uma etapa, uma experiência, uma vida. Amar é sentir; antes de qualquer verbo, amar é sentir. O disparar dos batimentos cardíacos. O nervosismo inerente, descontrolador. A vontade de tocar. Encostar nem que seja o dedo mindinho na pele do outro. Observar, sorrir um sorriso espontâneo. O sorriso da presença. Um sorriso apaziguador.

O temor sufoca o amor. O medo e o desespero asfixiam, aprisionam. Amar é libertar. Em essência, amar é deixar livre, permitir voar. Correr riscos. Arriscado, sim, amar é arriscar. Saborosos, intensos, descabidos, sufocantes riscos. O voo pode ser longo e sem volta. Ainda assim, amar é deixar voar. É permitir a escolha. O amor não faz exigências; dá possibilidades. A escolha, esta caberá a cada um de nós.

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