O trecho de um livro…para refletir

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Minha leitura da vez é o livro Estrangeira, de Sonia Rodrigues, lançado pela Nova Fronteira. É um romance pequenininho, de 190 páginas. Quando concluir a leitura, deverei fazer uma resenha para o jornal onde trabalho e, se possível, colocarei o texto por aqui também, já que é daqueles livros sobre o ser feminino (tema central do blog). No momento, quero compartilhar com vocês um trecho da obra, que logo no primeiro capítulo, causou grande impacto, arrebatamento e me colocou para pensar…

“Aos 40 anos, descubro, a duras penas, que posso contar comigo, com as pessoas poderei contar ou não. Família, colegas, amigos. Não pertenço a mais ninguém. Constatar isso me derruba. Aprender a viver com isso é pior. Porque quando eu partilhava alguma coisa, especialmente dificuldades com alguém, muitas vezes ouvia que estas eram decorrentes da minha incapacidade de escolher minhas companhias, meus amores. (…) Esses amigos não percebiam que se eu escolhesse melhor minhas companhias, não estaria do lado deles, pessoas imperfeitas. (…)

Nos próximos dias vou formalizar decisões que implicam renunciar a pessoas, apoio, aprovação, lugares.

(…)

Abrir mão de um emprego medíocre, ou melhor, conseguir não lutar mais por um emprego medíocre, não me esforçar para ser agradável com pessoas desagradáveis, evitar contato com quem vai me aborrecer, a menos que seja absolutamente necessário… Esses passos são difíceis para mim porque significam a solidão deliberada e eu gosto de companhia, gosto de redes.

Tecer redes não é muita coisa, mas é um andídoto contra o desamor. O amor traz força, riso, alegria. Isso é o que eu quero, é o que me mantém intensa. O amor é o que me mantém capaz de guinadas, capaz de me atirar sem rede de proteção. O amor me faz resistir ao conforto de abrir mão do passado, me permite caminhar para o futuro com inocência e praticar o presente às cegas.”

(Sonia Rodrigues, em Estrangeira, pp. 14 e 15. Ed. Nova Fronteira, RJ, 2010)

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E a vencedora do kit “Traça de Biblioteca” é…

Demorou, mas conforme o prometido, nesta quarta, 17, divulgamos o nome da vencedora da promoção “Literatura também é Conversa de Menina”. A sortuda vai levar o nosso kit Traça de Biblioteca (para quem está visitando o blog pela primeira vez, esse é o nome da nossa série de dica de livros), formado pelos livros Belíssima, de Nora Roberts, e por Bittergirl, das escritoras Annabel Griffiths, Alison Lawrence e Mary Francis Moore.

Mas, parando de enrolar, “the books goes to“… Maria Moreira!!!!

Ao todo, nove leitoras comentaram no post da promoção e os nove nomes foram colocados em um programinha de sorteio virtual on line, o Daydreaming (veja aqui o link). Esse programa é super simples, basta digitar os nomes, um embaixo do outro, sem uma ordem definida, aleatoriamente, e clicar no botão sortear. O sistema virtual escolhe um nome, também aleatoriamente. E a escolhida foi a Maria Moreira, a nossa sortuda da vez!

Avisamos para a Maria que ela tem cinco dias para responder o email que enviamos para ela, para o  resgate do prêmio. Se até o dia  22/11/2010 ela não responder ao email, no dia 23/11/2010, faremos outro sorteio aleatório no Daydreaming, com o nome das outras oito competidoras.

Aqui nessa tela, mostramos o momento em que digitamos os nove nomes das leitoras que comentaram no post da promoção. Digitamos de forma aleatória e usamos apenas o primeiro nome de cada uma das concorrentes, pois algumas comentaram usando nome e sobrenome e outras só colocaram o primeiro nome
Depois de digitar todos os nomes, clicamos no botão "sortear" e o programinha nos deu o nome da vencedora

Mas, as demais meninas que não foram ainda contempladas pelas brincadeiras e promoções do Conversa de Menina não devem desanimar. Agora em dezembro, nosso blog completa dois anos de existência e temos muitas coisas bacanas para sortear entre as leitoras. Pois é, o aniversário é nosso, mas o presente será de vocês. Teremos mais livros, cosméticos e diversas novidades. É só acompanhar o blog para ficar por dentro.

E a todas as participantes, o nosso muito obrigada triplo! O blog não existe sem vocês, queridas leitoras (e sem os leitores também, embora dessa vez nenhum menino tenha entrado na disputa).

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O amor eterno de José e Pilar

*Texto da jornalista Giovanna Castro

Alguém aí sabe me dizer o que é o amor? Ontem à noite fui a mais uma sessão de cinema interessante. Desta vez ví José e Pilar, o filme-documentário de Miguel Gonçalves Mendes que apresenta um pouco do dia a dia do casal José Saramago e Pilar del Río, sua mulher por mais de 20 anos. Gosto muito dos escritos de Saramago, apesar de não ser especialista no autor, e me surpreendi ao ver o cotidiano de um ídolo da literatura.

O filme mostra o homem político que ele foi – prêmio Nobel de Literatura de 1998, falecido em junho deste ano (leia o que a menina Andreia escreveu sobre o ídolo) – no sentido de agir politicamente como cidadão, que ele mesmo diz no filme que é uma das funções do escritor, “influenciar” como cidadão, e a sua descrença em Deus.

Além de mostrá-lo como homem apaixonado o que, em se tratando de ídolos, parece sempre muito instigante. Como um homem tão brilhante pode dedicar-se às letras e com a mesma intensidade ao amor de uma mulher? É bem provável, como se percebe rapidamente no filme, que a força da sua verve vem justamente da paixão por Pilar, assim como da paixão pelas letras, pelas tramas e pela vida.

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José Saramago diz que ele e Pilar del Río continuarão juntos de alguma forma já que as suas cinzas seriam depositadas sob uma pedra no jardim da casa de Lanzarote, nas Ilhas Canárias

O filme, que começa no ano de 2006, soa quase como uma despedida, uma vez que repetidamente Saramago fala da morte e a diferença entre a vida e o que podemos chamar de pós-vida, que o autor chama de “estar e o já não estar”. Apresenta uma história de amor real, do cotidiano, que tem muito carinho, afeição e admiração mútua, mas também não deixa de ter seus arranca-rabos. Pilar e Saramago se amam de uma forma muito companheira, se tocam o tempo todo.

Ela atua mesmo como um suporte – inevitável aqui usar o termo “pilar” da vida do homem que escolheu para si e de quem sempre foi fã. É a ela que ele chama a todo momento quando precisa de qualquer coisa ou até mesmo para contar uma piada, dividir histórias ou apenas tocar sua mão. Uma história de amor que nem parece real de tão pura, pureza que salta aos olhos.

Pilar não é uma mulher qualquer. É uma jornalista de personalidade forte e atuante quanto aos assuntos do seu país, a Espanha. Muito ágil e decidida, Pilar tomou conta da vida de Saramago e passou a organizar todas as suas coisas desde as mais comezinhas até sua extensa e cansativa agenda de viagens que culminou, em 2007, com algumas semanas de internação que deixaram o autor debilitado. Aquilo jamais se repetiria, decidiu Pilar, que determinou que o ritmo intenso de voos só voltaria por cima do seu cadáver.

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Filme José e Pilar é co-produzido pela O2 Filmes, do cineasta brasileiro Fernando Meirelles, que filmou a versão de Ensaio sobre a cegueira

Em uma entrevista à imprensa portuguesa, um repórter hesitante pergunta a Pilar sobre o fato dos portugueses se sentirem um tanto ressentidos por ela ter “tirado Saramago de Portugal”. No que ela prontamente responde: “Não, isso quem fez foi o governo de Cavaco Silva! Próxima pergunta?”. Sua força também é direcionada ao marido, quando ambos discutem fervorosamente sobre Hillary Clinton, então candidata preferida dela, e Barack Obama, apoiado desde o começo por Saramago.

Na verdade, é impossível perscrutar um amor, e creio que não há resposta para a pergunta que eu mesma sugeri no começo do texto. A história daqueles dois parece ter sido uma ação mesmo do destino, uma combinação de fatores daqueles bem complexos que não dá para explicar. José e Pilar se amam na vida e nas letras. Ela, que traduzia os livros dele para o espanhol, se esforçava para dar conta do seu trabalho logo depois do marido fazê-lo em português.

E era extremamente leal, se negando a responder questionamentos de repórteres sobre detalhes do novo livro do autor, na época em que foi feito o filme, A Viagem do Elefante. O filme é todo emoção em que uma mulher decide com força descomunal proteger seu homem e ele retribui com uma devoção tocante.

É como se a cada oportunidade – e Saramago fazia questão de declarar seu amor pela mulher em eventos públicos, como no lançamento mundial de A Viagem do Elefante, que aconteceu em São Paulo (2008) – ele reafirmasse o seu sentimento, eternizado na dedicatória de Pequenas Memórias (2006) “aquela que ainda não tinha nascido e tanto tardou a chegar”. Mais interessante ainda quando o gênio das letras diz duas frases e chama a mulher para conferir a beleza do seu pensamento.

“Olha que coisa linda que acabei de dizer, Pilar: eu tenho ideias para romances e você tem ideias para a vida. O que é mais importante?”. “Eu não sei, mas acho que são ideias para a vida”, diz ela, arrancando risadas de todos os presentes. Uma pequena pista para o mistério que uniu os dois até o fim e no pedido feito pelo autor em vida quando a mulher pergunta o que fazer com a Fundação José Saramago, da qual tornou-se presidenta (como fazia questão de ser chamada): “Continua-me”.

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Filme acompanha o casal e registra momentos da vida de Saramago entre 2005 e 2008 em Portugal, Itália, Brasil e outros países

P-S – Vale observar a cena em que Saramago assiste Ensaio sobre a Cegueira (Blindness), adaptação do brasileiro Fernando Meirelles para o livro homônimo. Ao lado de Pilar e de Meirelles, o autor se emociona bastante e diz estar muito feliz pois o filme havia saído exatamente do jeito que ele imaginou a história que colocou no papel. Impossível não se emocionar também.

Veja o trailer do filme José e Pilar, em cartaz em Salvador, no Espaço Unibanco de Cinema – Glauber Rocha

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Promoção literatura também é “conversa de menina”

A série Traça de Biblioteca, que indica livros aqui no blog, vai sortear, agora em novembro, dois exemplares de literatura feminina: Belíssima, da escritora Nora Roberts; e Bittergirl, de Annabel Griffiths, Alison Lawrence e Mary Francis Moore.

Para concorrer ao “Kit Traça”, formado pelas duas obras, basta escrever na área de comentários deste post: “Quero ganhar os livros da Traça de Biblioteca”, além de deixar seu nome e email de contato. Realizaremos o sorteio dos volumes entre os que postarem comentário. Mas só vale comentar no post da promoção! A sorteada (ou sorteado) terá cinco dias para responder nosso email de contato. Caso não dê sinal de vida, realizaremos um novo sorteio entre os participantes restantes.

Os comentários podem ser postados de hoje até o dia 15 de novembro. Ao final desse prazo, a área de comentários do post será fechada e o sorteio ocorrerá no dia 16 de novembro, com os participantes inscritos até 23h59 do dia 15. No dia 17 divulgaremos aqui no blog e nas redes sociais que integramos (Twitter, Orkut, Facebook e etc) o nome da grande vencedora ou vencedor e entraremos em contato via email com a sortuda (ou sortudo).

Portanto, fiquem de olho e boa sorte!

Conheça mais sobre os livros sorteados:

Belíssima – Nora Roberts, autora número 1 de best sellers em todo o mundo, é considerada a grande dama do romance e seus livros unem muito suspense, drama e amor. Em Belíssima, a autora conta a história da Dra. Miranda Jones, uma especialista em avaliação de obras raras que se vê envolvida numa intriga internacional de falsificação de peças de arte ao ter sua casa invadida e roubada. O drama de Miranda começa quando ela é contratada para constatar a autencidade de uma obra em bronze renascentista chamada A Senhora Sombria, que retrata uma cortesã da família Médici. A obra de arte, que guarda segredos sinistros, pode ter relação com o ataque à casa da Dra. Jones e ela terá de se unir a um famoso e sedutor ladrão, Ryan Boldari, para penetrar no submundo das falsificações, desvendar o mistério e salvar a própria vida. O livro em português é um lançamento da editora Bertrand do Brasil, tem 546 páginas e custa em média R$ 55,00. O exemplar que vamos sortear no blog é novo.

Bittergirl – Já Bittergirl pertence ao gênero Chick Lit (também chamado de literatura cor-de-rosa). A obra reúne as mal-sucedidas histórias de amor das três autoras, que escreveram um “manual” para orientar as garotas em como lidar com o rompimento de longos relacionamentos. Após levarem um pé vocês sabem bem onde, Annabel, Alison e Mary Francis se uniram para bolar uma estratégia de recuperação dos traumas pós-separação. Com muito bom-humor, as três explicam como superaram o fim dos relacionamentos e propõem atividades para quem está precisando sair da fossa. No mínimo, rende ótimas gargalhadas. Afinal, que menina nunca chorou por amor? No Brasil, a obra foi publicada pela editora Best Seller, tem 320 páginas e custa em média R$ 35,00. O exemplar sorteado aqui no blog também é novo.

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Especial Dia da Criança: hábito de leitura

O sexto artigo – terceiro publicado nesta terça – escolhido para a série Especial Dia da Criança é de Lourdes Magalhães, fundadora e presidente da Primavera Editorial. No texto, a autora fala sobre a importância de se cultivar o hábito da leitura desde a infância e desmistifica a suposta guerra: ipads x livros em papel. “Não importa qual o suporte, o importante é que as crianças leiam cada vez mais”. Apreciem sem moderação!

Lembranças “criadas” para o futuro do pretérito

*Lourdes Magalhães

Hipoteticamente, como e onde são confeccionadas as lembranças para o futuro do pretérito? Embora a pergunta pareça estapafúrdia, creio que seja legítima – afinal, a desinência “ria”, que caracteriza esse tempo verbal, é empregada também quando não se tem certeza da informação, a exemplo da frase “…ele disse que leria toda a obra de Lewis Carroll”. Trocando em miúdos, estou usando uma alegoria para questionar em que momento de nossas vidas damos “corpo” às lembranças que evocaremos futuramente. Qual é o átimo em que criamos uma boa lembrança relacionada aos livros; ao ato de participar de uma “aventura” literária? Essa reflexão se refere, especificamente, à criação de uma nova cultura em relação ao hábito da leitura em tempos de iPad e de presentes eletrônicos para o Dia das Crianças.

Não por acaso, o primeiro livro disponível para o iPad foi Alice no país das maravilhas – uma delícia para a imaginação infantil e um espanto para os adultos que ainda tentam entender as funcionalidades do aparelho. A despeito do debate sobre o livro impresso versus o eletrônico, o que tem real relevância é incentivar nossas crianças a criar, inovar, arrojar e aprender por meio da experiência da leitura. O número de leitores no Brasil será crescente à medida que toda a sociedade invista em fomentar o hábito entre as crianças. É na infância que a leitura se desenvolve e se consolida. No meu caso, por exemplo, o primeiro livro que eu realmente lembro de ter lido – e que fez a diferença na minha vida – foi Dom Casmurro. O impacto foi tanto que convenci meus irmãos e meu pai a batizar nossa cadelinha de Capitu que, diferente da personagem de Machado de Assis, viveu muito tempo. Creio que desde aquele tempo já era vidrada em livros bem escritos.

Pensando nesse futuro, fiz um exercício de pedir aos autores da Primavera Editorial que relatassem qual foi a primeira experiência que tiveram com os livros. O meu intuito era exatamente “investigar” em qual momento esses escritores se tornaram leitores; saber se foram presenteados com livros e o quanto esse presente determinou o futuro pessoal e profissional. Os relatos de Caco Porto, Edna Bugni, Luis Eduardo Matta, Gilberto Abrão, Joseph Gelinek e Márcio Kroehn fundamentam a certeza pessoal que tudo começou na infância. Embora não publique livros para o público infantil, o tema me é muito caro, porque enxergo nele o futuro do mercado editorial mundial.

Diante da profunda certeza que os livros são capazes de nos levar a outro patamar da civilização – sejam impressos ou eletrônicos – gostaria de sugerir aos pais, tios, padrinhos e avós que deem livros como presente no Dia das Crianças. Ou melhor, que deem boas lembranças para o futuro! Para tornar essa sugestão mais contundente, indico a leitura dos relatos de alguns autores da Primavera Editorial.

Boas descobertas!
Estive nas Guerras Napoleônicas, na Rússia, com Leon Tostói
“Antes de começar a ler qualquer livro, lia revistas em quadrinhos. Já fui Roy Rogers e, posteriormente, Tarzan – época em que a minha professora da segunda série era  Jane. Tempos mais tarde, tornei-me o Fantasma e transformei uma prima dois anos mais velha em minha doce Diana… Aos 13 anos, ganhei o meu primeiro livro. Na ocasião, estava estudando no Líbano e tinha tirado o terceiro lugar nos exames finais da minha classe. O diretor da escola me premiou, dando um livro escrito em árabe, cujo título seria, em português, “Animais pré-históricos”. A partir de então, tomei gosto e não parei mais de ler. Acompanhei Karl May nas viagens e nas aventuras dele – via-me dormindo no deserto do Saara e conversando com os índios no meio-oeste americano. À medida que fui crescendo, participei de outras viagens e aventuras. Estive nas Guerras Napoleônicas na Rússia com Leon Tolstói – escritor cuja morte completa 100 anos em 20 de novembro deste ano. Thomas Mann me mostrou a diferença entre o alemão protestante, rígido, e o católico, meio latinizado. Sentei longas horas com Gabriel Garcia Marquez sob a luz tênue de uma lamparina de querosene, ouvindo-o contar a saga dos descendentes de José Arcádio Buendía.” – Gilberto Abrão, autor de Mohamed, o latoeiro

Um tesouro azul
“Era inverno; os anos eram os cinquenta; a casa era antiga; a cidade era uma vila e a menina era pequena. Em uma tarde desse tempo, a menina ganhou um presente: seis pequenos livros de capa azul. Cada um com uma história familiar: Branca de Neve, Chapeuzinho Vermelho, Cinderela, João e Maria, Rapunzel e Sapatinhos Vermelhos. A menina os pegou, alisou a capa, cheirou-os e os apertou contra o peito. Tinha consigo um tesouro e sabia disso: seus primeiros livros! Um presente por ter aprendido a ler. Cinquenta anos se passaram e hoje a mulher se recorda de todas as emoções e sensações daquela tarde fria: o calor do fogão de lenha na cozinha, o barulho da água fervente caindo na chapa, o banco onde se sentou para ler, a textura do papel, o cheiro das páginas e o mundo que se abriu a partir daí…” – Edna Bugni, autora de Solstício de verão.

Um parque de diversão particular
Marcelo Marmelo Martelo, de Ruth Rocha. Como esquecer meu primeiro companheiro? Andava com o livro para cima e para baixo. Gostava da repetição dos “emes” e brincava de trocar para Márcio Marmelo Martelo, porque dava certo e me deixava feliz da vida. Em capa dura, colorido, uma grande história sobre amizade. Quem desconhece o mundo mágico das palavras perde a felicidade de estar no seu parque de diversão particular. Mas essa felicidade só existiu porque meus pais foram meus grandes incentivadores. Foram eles que colocaram a leitura em minhas mãos. E tudo no seu tempo certo, na idade certa: primeiro os infantis, depois os juvenis e as grandes obras. Eles me presenteavam com livros, eu gosto de dar livros de presente. Algumas crianças já me olharam feio, porque queriam um brinquedo qualquer. Mas foi antes da história arrancar o maior sorriso do mundo. – Márcio Kroehn, autor de Onde o esporte se reinventa: histórias e bastidores dos 40 anos de Placar

Uma conta na livraria de Copacabana
“Foi, em grande parte, graças à escola que me tornei um leitor. Tive a sorte de contar com boas professoras de português e literatura que adotaram em sala de aula livros como A inspetora e o fantasma dançarino, de Santos Oliveira, nome usado pelo escritor Ganymedes José – a primeira história com mais texto do que ilustração que li. Eu tinha, então, nove ou dez anos. Na época, meu pai, vendo meu crescente interesse pela leitura, deu-me de presente uma conta em uma livraria perto da minha casa, em Copacabana. Eu podia gastar semanalmente até uma determinada quantia e aproveitei para ler muitos livros policiais juvenis como os de Marcos Rey e João Carlos Marinho; e principalmente toda a série da Inspetora. Essas são obras que permanecem como a lembrança mais marcante daqueles meus primeiros passos no mundo da literatura.” – Luis Eduardo Matta, autor de O véu
O fim dos momentos mortos, apáticos

“Acredito que o primeiro romance completo que li em minha vida foi Os três mosqueteiros, de Alexandre Dumas. Com esse livro, aprendi que é importante para um romance ter em seu enredo diversos acontecimentos para que não existam momentos mortos, apáticos.” Joseph Gelinek, autor de A décima sinfonia

A imaginação de um pequeno príncipe
“Aos sete ou oito anos recebi de presente O pequeno príncipe, de Antoine De Saint-Exupéry. Lembro que foi uma experiência marcante, pois o livro incitava minha imaginação. Com massa de modelar criei de monstros até casas, pessoas, carros, trens e árvores. Com papel e lápis de cera desenhei rabiscos, balões de São João e bandeirinhas ao estilo Alfredo Volpi. Com papelão colorido, cola e tesoura, montei objetos tridimensionais de todos os tipos e até hoje consigo imaginá-los planificados no papelão e depois de colados, vejo-os girando em três dimensões diante de mim. Hoje sou uma pessoa grande – o narrador bem diz, no livro, as pessoas grandes não conseguem ver o elefante dentro da jiboia, apenas um chapéu – e não me lembro de detalhes da leitura, mas lembro que fiquei orgulhoso de ter o meu primeiro livro, pois afinal, eu já sabia ler. Nas páginas de O pequeno príncipe me diverti muito com as figuras e com a fertilíssima imaginação do habitante do pequenino planeta. Creio que desenvolver a imaginação tenha sido o meu grande aprendizado com esse livro. Digo isso, deslocando para fora do corpo a pessoa grande e incorporando a criança que fui no primário. A leitura desse livro foi significativa para o meu aprendizado, socialização e sobretudo para o desenvolvimento da imaginação.  É certo que captei a mensagem do livro de uma forma há 45 anos; agora tenho que fazer uma releitura para captar a mensagem como a pessoa grande que hoje sou.” – Caco Porto, autor de As duas faces da abóbora

*Lourdes Magalhães é fundadora e presidente da Primavera Editorial. Graduada em Matemática pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), com mestrado em Administração (MBA) pela Universidade de São Paulo (USP) e especialização em Desenvolvimento Organizacional pela Wharton School (Universidade da Pennsylvania, EUA). a executiva possui experiência como consultora de gestão por 20 anos,  tendo atuado no mercado editorial nacional e internacional desenvolvendo parcerias e contratos com agentes literários na avaliação de obras para a compra de direitos autorais. Antes de fundar a Primavera Editorial, atuou durante cinco anos em grandes editoras – período em que estudou o mercado editorial nacional e internacional.

**Material encaminhado ao blog pela Printec Comunicação.

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Leia os textos já publicados pela série:

>>Especial Dia da Criança: Preservação ambiental

>>Especial Dia da Criança: Avós e netos

>>Especial Dia da Criança: “ser” criança

>>Especial  Dia da Criança:  consumismo infantil

>>Especial Dia da Criança: o cuidador

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Incentivo à leitura no Dia das Crianças

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Sugestões de livros para a criançada:
>> Traça de Biblioteca: Série especial do mês da criança – I
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Eu não tenho filhos – ainda, pelo menos -, mas tenho dois afilhados que são como se filhos fossem. E quando vai chegando o dia das crianças, já me animo toda para escolher presentinhos bem especiais para os meus dois amores, um de 13 anos e outra de seis. Hoje, olhando os e-mails que recebemos diariamente, achei uma sugestão bem bacana, sobre o lançamento da coleção de livros com histórias da família Trolls, personagens já bem conhecidos da meninada nos Estados Unidos.

Dar livros de presente é uma ótima opção, e você ainda vai ajudar no desenvolvimento da criança. Incentivar a leitura desde a tenra idade é uma obrigação nossa. E vale fazer a brincadeira ficar bem mais divertida, com a criação da sessões de leitura. Lá em casa, é assim que faço com a pequena. Nos acomodamos em algum canto, e vou lendo para ela, criando vozes diferentes para os personagens. Agora que ela está começando a ler é mais legal ainda, porque ela já soletra as palavrinhas e a gente vai conversando sobre os significados.

Quem tem interesse em dar livros de presente, vale dar uma conferida na coleção da família Trolls. São bichinhos peludos, barulhentos e bem divertidos, que vivem um monte de aventuras. São quatro livrinho que podem render boas gargalhadas e muito aprendizado.

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Traça de Biblioteca: Série especial do mês da criança – I

A Traça de Biblioteca começa nesta terça-feira uma série especial dedicada ao Mês da Criança. De hoje até o dia 26/10 -, portanto, última terça de setembro e as quatro terças-feiras de Outubro -, postarei exclusivamente dicas de lançamentos e/ou bons livros infanto-juvenis que vocês podem dar de presente aos mocinhos e mocinhas do coração. Vejam a primeira parte dessa Traça Especial Para Petits:

Tristão e Isolda : Coleção Os Meus Clássicos

A lenda de origem celta que conta a história de Tristão e Isolda data de antes do século XII, quando foi escrita pela primeira vez. Esta nova edição agrega uma linguagem simples, mas inteligente, recheada de muita aventura e romance, para cativar o público jovem. A autora Helena Gomes – já conhecida do público juvenil, é jornalista e professora universitária e realizou uma longa pesquisa sobre os personagens.

Autora: Helena Gomes

Editora: Berlendis & Vertecchia (www.berlendis.com)

232 páginas

Preço: R$ 39

Fred Fedorento

Rimas divertidas contam as travessuras de Fred Fedorento, um cachorro que adora brincar no meio da sujeira. Ele vive emporcalhado, fuçando as lixeiras e rolando na lama. Toda vez que alguém da família tenta dar um banho nele, a coisa fica ainda pior, porque Fred sempre escapa, derrubando o balde e espalhando água e sabão por todo lado. Isso até a chegada da Tia-avó Branca, que tem mania de limpeza e não desiste de perseguir Fred para dar um banho nele. Mas o astuto vira-lata não é nada fácil de apanhar! Fred e Tia Branca se envolvem em pega-pega, corre-corre, armadilhas e tocaias nessa aventura hilariante, que tem um final surpreendente…

Autor: Daniel Postgate

Editora: Zastras

24 páginas

Preço: R$ 29,00

Um zoológico no meu jardim

O que é, o que é? Tem aranha, mosca, vespa, bem-te-vi, sabiá, gato, tatu-bola, minhoca, peixe, gavião, abelha, cigarra, grilo…Ufa! Tem goiabeira, jabuticabeira, parreira, roseira, amoreira, limoeiro…Atenção para mais uma dica: pertence a um menino…Acertou quem respondeu que é um jardim. Mas de tão imenso, tem um zoológico com gramado e até aquário!

Autora: Mirna Pinsky

Ilustrações: Cláudio Martins

Editora: Formato

16 páginas

Preço: R$ 24,40

O Gato e a Árvore

Conta a história de um gatinho que planta um árvore e cuida dela com todo o cuidado na companhia de seu amigo corvo. A obra faz parte da coleção “História à vista”, que compõe o Projeto Zepelim, voltado para formar leitores e despertar o prazer da leitura. A coleção apresenta livros de histórias contadas apenas por imagens e que tratam de temas relacionados à imaginação e à infância.

Autor: Rogério Coelho

Editora Positivo: www.editorapositivo.com.br/zepelim.

*Número de páginas e preço não informados.

Dom Pedro II – Imperador do Brasil

Dom Pedro II foi o segundo e último imperador brasileiro. Ficou conhecido por incentivar a educação e a cultura. Mas como foi a infância e a juventude de um menino que assumiu o maior país da América Latina, com apenas 15 anos? Com o desafio de responder essa e outras perguntas, Antonio Carlos Oliveri se uniu a Rubens Matuck, e juntos, produziram o livro educativo “Dom Pedro II, Imperador do Brasil”. As páginas mostram todos os períodos da vida do Imperador, desde o seu nascimento até o seu fim, revelando curiosidades históricas da época. Com uma linguagem simples e instigante, a obra proporciona um panorama que torna compreensível ao leitor o motivo de o príncipe ser admirado pelo povo do período em que viveu e por grandes pensadores, como Victor Hugo, que o considerava “um homem da ciência”.

Autor: Antonio Carlos Oliveri

Ilustração: Rubens Matuck

Callis Editora

56 páginas

Preço sugerido: R$ 20,90

Pagu

A trajetória de Pagu é contada por Telma, uma mulher humilde que sobrevive recolhendo e reutilizando coisas descartadas por outras pessoas. Até que um dia ela encontra uma sacola especial, que contém antigas cartas, fotos, documentos e pastas. Reunindo os materiais, Telma reconstrói o mundo em que a escritora e jornalista Pagu viveu. A obra retrata São Paulo, no início do século XX, época em que ainda existia muito preconceito em relação à mulher. Com uma linguagem simples e informal, Telma mostra aos leitores de todas as idades a importância que Pagu (ou Patrícia Galvão) teve para a conquista dos direitos femininos.

Autora: Lia Zatz

Ilustração: Camila Mesquita

Callis Editora

96 páginas

Preço sugerido: R$ 26,90

Encontros e desencontros no Rio de Janeiro

A obra conta de forma curiosa a história do Rio de Janeiro. Tudo começa quando Tiago, um garoto que vive em Laranjeiras, Renata, uma menina que mora em Pavão-Pavãozinho, e Rita, funcionária da Biblioteca Nacional, encontram-se na praia de Copacabana. As páginas seguintes mostram Rita contando para os dois jovens detalhes sobre a origem e o desenvolvimento do Rio.

Autor: Luiz Bras

Ilustração: Camila Mesquita

Callis Editora

32 páginas

Preço sugerido: R$ 21,90

Chapeuzinho vermelho: a verdadeira história

Todos conhecem ou já ouviram falar sobre a clássica história da Chapeuzinho Vermelho. Uma menina que vai visitar a avó, conhece o Lobo na floresta e é salva pelo lenhador. O que poucos sabem é que essa história não é a original. Os mistérios da Chapeuzinho são revelados pelo escritor e poeta Antonio Rodrigues Almodóvar. A obra mostra, pela primeira vez, o que aconteceu de verdade com a Chapeuzinho Vermelho e sua vó, por meio de diálogos curiosos e ilustrações divertidas de Marc Taeger. O livro apresenta a versão de acordo com os textos da tradição oral francesa e os estudos do folclorista Paul Delarue.

Autor: Antonio Rodrigues Almodóvar

Ilustração: Marc Taeger

Callis Editora

36 páginas

Preço sugerido: R$ 26,90

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Veja mais dicas de livros infantis:

>>Incentivo à leitura no Dia das Crianças

Leia Mais

“Cartas de amigos” para refletir

“(…) Percebo em nossos dias uma intolerância cada vez maior com os limites humanos. Temos medo das imperfeições. E por isso evitamos o outro no momento de sua fragilidade. Corremos o risco de cultivar pessoas e realidades a partir de expectativas, e não de possibilidades. Queremos o outro, mas esse querer fica condicionado. Queremos até o momento em que nossas projeções não sejam desarticuladas. Queremos, mas desde que absolutamente nada contrarie nosso querer.

(…) O amor que sentimos pelo outro pode ser concreto fora da experiência de limites e imperfeições? É possível amar alguém sem tocar suas formas mais imperfeitas? O amor consiste somente em reconhecimento de valores? Não creio, meu amigo. Tenho aprendido, a partir de minha experiência, que o amor só é concreto depois de termos necessitado do perdão.

Antes disso há qualquer outra coisa, menos amor. Eu só sei que amo verdadeiramente depois de ter esbarrado nas imperfeições do outro, depois de ter conhecido sua pior faceta e mesmo assim continuar reconhecendo-a como parte a que nao posso renunciar. Só o amor me faz conviver com o precário da vida, com a indigência humana (…)”

Leia a íntegra do livro: “Cartas entre amigos – sobre medos contemporâneos”

O texto acima é para promover uma reflexão. É um pequeno trecho do livro “Cartas entre amigos – sobre medos contemporâneos”, que reproduz 18 cartas trocadas entre o educador Gabriel Chalita e o padre Fábio de Melo. A troca de correspondências começou no final de 2008, quando Chalita se preparava para assumir o cargo de vereador em São Paulo, e Melo encerrava uma turnê de 120 shows. No período, eles começaram a refletir sobre temas diversos que cercam a contemporaneidade, como a violência, o amor, o fracasso, a inveja, a solidão, o ódio, dentre tantos outros. Temas que precisamos o tempo inteiro rever, analisar, discutir. O cotidiano já não é fácil nessa nossa sociedade moderna. Não podemos descuidar do resto.

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Traça de Biblioteca: John Le Carré e outras histórias

A série Traça de Biblioteca traz nesta terça-feira quatro dicas de obras de ficção e não-ficção, três da editora Record e uma da editora Prumo. As obras de não-ficção revelam a vida íntima de Charles Darwin, que já foi assunto no blog (relembre aqui) e o livro da jornalista Eliane Trindade que inspirou o filme Sonhos Roubados, de Sandra Werneck. No terreno da ficção, o destaque da semana é para uma obra de espionagem de John Le Carré e para Guernica, romance histórico ambientado na Guerra Civil Espanhola. Divirtam-se!

O HOMEM MAIS PROCURADO

Romance de espionagem de John Le Carré, conceituado autor de obras ambientadas na Guerra Fria, como O espião que veio do frio. Este livro mais recente do autor transporta o leitor a um passado bem mais recente: a guerra ao terror iniciada imediatamente após os atentados de 11 de setembro em Nova York. A trama é ambientada na cidade alemã de Hamburgo, de onde partiram pelo menos três terroristas que participaram dos atentados e onde foram identificadas várias células da Al-Qaeda. Hamburgo foi também a cidade onde Le Carré serviu como adido político quando servia ao Ministério de Relações Estrangeiras britânico nos anos 60. Aos 76 anos, os últimos 40 dos quais passados nas montanhas da Cornualia em quase reclusão, Le Carré constrói em O homem mais procurado a trama de espionagem mais elogiada dos últimos tempos pela crítica britânica e americana.  A história se passa em torno de Issa Karpov, um muçulmano que freqüenta a mesquita de Hamburgo. Filho ilegítimo de uma agricultora chechena e de um oficial russo, Karpov é procurado pelos serviços secretos dos Estados Unidos, da Rússia e da Alemanha por diferentes motivos. Ao mesmo tempo, procura, com a ajuda de uma advogada, reaver uma possível herança deixada pelo pai e evitar a deportação, em uma história onde não há uma linha clara de divisão entre mocinhos e bandidos…
Autor: John Le Carré
Tradução de Marcelo Schild
Grupo Editorial Record/Editora Record
350 páginas
Preço: R$ 52,90

AS MENINAS DA ESQUINA

O livro inspirou o filme Sonhos Roubados, de Sandra Werneck. Nesta obra, a repórter Eliane Trindade registrou relatos emocionantes da vida de seis jovens que se prostituíam para sobreviver, mas que nunca abandonaram seus sonhos. Publicado em 2005 pela Record, o livro ganhou uma nova edição. Thriller de ação, sexo e violência, permeada por lições de amor e solidariedade, a obra revela a realidade sobre a exploração sexual infantil no país. Através das palavras das próprias jovens, entre 14 e 20 anos, podemos compreender um pouco desse mundo cruel de infâncias interrompidas.  Britney, Natasha, Milena, Yasmim, Vitória e Diana, que têm suas histórias narradas no livro, são bonitas, inteligentes e têm os mesmos desejos materiais e de afeto de qualquer menina da mesma idade. A diferença é que elas vivem um eterno hoje, sem perspectivas de futuro. Não adianta sonhar com universidade porque não tiveram acesso nem a uma educação básica. Três delas são mães adolescentes, fato que limita ainda mais as possibilidades. Cercadas de violência e miséria, elas se jogam na vida sem pára-quedas…
Autora: Eliane Trindade
Editora Record
420 páginas
Preço: R$ 39,90

GUERNICA

Em Guernica – A saga de uma família em meio à Guerra Civil Espanhola, o escritor americano Dave Boling une história e ficção em um romance sobre resistência – de uma família, do amor entre os seus e das tradições bascas. A obra, publicada em mais de 15 países, é considerada um épico. Em 1935, após um desentendimento com a guarda civil local, Miguel Navarro decide deixar a ilha pesqueira basca de Lekeitio e se refugiar em Guernica, o centro da cultura e tradição bascas. É nesse isolado vilarejo de fortes valores democráticos que Miguel encontra mais do que uma nova vida: a razão de viver por alguém. Miren Ansotegui, parte de uma das mais proeminentes famílias da cidade, é a carismática e graciosa dançarina que ele encontra em Guernica. Ambos descobrem um amor, que nem a guerra, a tragédia ou a morte pode destruir. O bombardeio de Guernica, às vésperas da Segunda Guerra Mundial, foi um experimento devastador realizado pela Luftwaffe nazista durante a Guerra Civil Espanhola. Para os bascos, foi um ataque à alma de sua nação; para o mundo, um crime sem precedente na história da humanidade. Picasso ficou tão horrorizado com o ataque que  jurou alastrar sua visão em um mural que se tornaria um ícone mundial. Inspirado em uma história doméstica, o autor cria uma saga ambientada nesse contexto histórico desolador…
Autor: Dave Boling
480 páginas
Editora Prumo
Preço: R$ 54,90

A ILHA DE DARWIN

Em 2009, comemorou-se o bicentenário de Charles Darwin e o 150º aniversário de A origem das espécies. Apesar de ser seu trabalho mais famoso e um dos mais célebres do século XX, este importante livro ofusca a genialidade de obras menos conhecidas, mas não menos importantes de uma das figuras mais brilhantes da biologia. O cientista passou a maior parte do tempo de pesquisa na Inglaterra, sua terra natal, onde escreveu cerca de 20 livros sobre assuntos tão diversos como as emoções humanas e minhocas. Além de informações sobre o trabalho feito fora da Ilhas Galápagos, o autor de A Ilha de Darin, Steve Jones discorre a respeito da vida familiar e da personalidade genial e cativante do cientista.
Autor: Steve Jones
Grupo Editorial Record/Editora Record
576 páginas
Preço: R$ 57,90

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Traça de Biblioteca: futurismo, juvenis e outras histórias

A Série Traça de Biblioteca destaca nesta terça-feira quatro lançamentos de 2009, da Editora Record, que ainda não tinham sido indicados aqui no blog, mas que valem a leitura. O bom dos livros é que eles (na maioria das vezes) não tem prazo de validade e podem ser apreciados em qualquer tempo, desde que o leitor tenha em mente o contexto em que as histórias foram escritas. Confiram as sinopses, escolham o preferido, corram até a biblioteca ou livraria mais próxima (sim, minha gente, eu sei que existe I-Pad, mas nada se compara ao prazer e ao fetiche de um livro nas mãos) e divirtam-se!

DELACROIX ESCAPA DAS CHAMAS

O escritor Edson Aran nos transporta para o ano de 2068, em São Paulo, onde os habitantes das cidades-cubo vivem protegidos em shopping cities, onde moram, consomem e trabalham. Fora dali, os sem-crédito disputam o território com narcotraficantes, monarquistas (separatistas liderados por Dom Pedrinho de Orleans e Bragança, o dom Pedro III) e outros fanáticos. Neste futuro inóspito, grupos guerrilheiros como os Marxistas Teocráticos jogaram o Brasil numa guerra civil e a França virou um califado islâmico que queima museus inteiros, mas não consegue impedir que um Eugene Delacroix escape das chamas e venha parar em São Paulo, onde vive o crítico de arte Wagner Krupa. A ideia de transformar um shopping center no grande útero onde as pessoas nascem, crescem, trabalham, se divertem e morrem, sem conexão com o inferno exterior, também já foi explorada por José Saramago, no genial A Caverna. Aldous Huxley (Admirável Mundo Novo e A Ilha), por sua, foi um dos pioneiros em imaginar um futuro ultra-tecnológico e de grande controle social imposto pela elite dominante. O diferencial em Delacroix é que o autor ambienta essa nova babel high tech no Brasil e mistura elementos de um grande thriller de ação, com humor e ironia para contar sua história.

Edson Aran
Editora Record
176 páginas
Preço: R$ 29,00

SR. GUM E O BISCOITO BILIONÁRIO

Vencedor do Blue Peter Book Award, da BBC, do Roald Dahl Funny Prize e do Red House Children’s Book, o único prêmio infanto-juvenil da Inglaterra decidido com votos de crianças,  a série de Andy Stanton protagonizada pelo mal-encarado Sr. Gum é sucesso editorial com direitos vendidos para 25 países. Com mais de 500 mil livros vendidos na Inglaterra, a série também é sucesso de crítica. Surreal, hilário, esquisito e irresistível, Sr. Gum transformou Andy Stanton em revelação da literatura infantil, comparado a Roald Dahl, de A fantástica fábrica de chocolate. Neste segundo volume da série, Sr. Gum e o biscoito bilionário, Andy Stanton  coloca o protagonista às voltas com a tentativa de roubar a fortuna de um sujeitinho bem exótico: um homem feito de pão de mel e com passas no lugar dos olhos, músculos elétricos e faíscas pulando ao seu redor.

Andy Stanton
Galera Record
192 páginas
Preço: R$ 25,00

CRUÉIS, VIS E ORDINÁRIOS

Romance de estréia de Al Gomes, em que o autor constrói uma sórdida e envolvente narrativa policial ambientada no Rio de Janeiro. Com um conteúdo impiedoso (lembra João Ubaldo Ribeiro e seu amoral personagem de O Diário do Farol), o livro traz ainda uma boa dose de ironia e sarcasmo no enredo, que se desenvolve a partir do assassinato de Monique Rimel, uma modelo aspirante a atriz. O principal suspeito é o cineasta Marcelo Braga, mas tudo se torna duvidoso: desde a abordagem da imprensa ao caso, até o descaso da polícia e as relações que a jovem mantinha com importantes políticos e empresários. Tem algumas semelhanças também com Twin Peaks e com Os últimos dias de Laura Palmer, respectivamente série de tv e um longa inspirado na série, ambos dirigidos pelo cineasta David Lynch.

Al Gomes
Editora Record
256 páginas
Preço: R$ 36,00

O QUE TE FAÇA FELIZ

Três amigas de longa data se encontram todos os meses com um único objetivo: queixar-se dos filhos: Matt, Paul e Daniel, que estão na casa dos 30 anos, mas não querem saber de casamento ou paternidade. Após mais um Dia das Mães sem telefonemas, as três decidem visitá-los para descobrir o que os impedem de se tornar adultos. O resultado é uma hilariante trama que emocionará tanto as mães, que às vezes são atenciosas demais, quanto os filhos, que acham que sempre podem se virar sozinhos…

William Sutcliff
Editora Record
336 páginas
Preço: R$ 46,00

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