Confira o que chega às livrarias nesta sexta

Para quem gosta de uma boa ficção baseada em fatos reais – e de onde é que os autores tiram inspiração senão da vida? – três lançamentos chegam às livrarias nesta sexta, 22. Dois dos livros falam de dramas femininos vividos em meio a conflitos políticos e sociais que marcaram o século XX e o terceiro, em memória dos 70 anos do início da II Guerra Mundial, narra a história do confronto pelos olhos de um menino.  Confiram:

A chuva antes de cair

a chuva antes de cair

A chuva antes de cair, novo romance de Jonathan Coe, consagrado escritor britânico da nova geração e também autor de A casa do sono, conta a história de três gerações de mulheres de uma mesma família,  cujos destinos são traçados desde o interior da Inglaterra durante a II Guerra Mundial, passando por Londres, Toronto e o sul da França na virada do novo século. O livro retrata a natureza fugaz do amor e da felicidade e traz uma interessante investigação sobre o legado de caráter passado de uma geração à outra.

À beira da morte, uma mulher de 73 anos decide deixa de herança para uma menina cega, a descrição de 20 fotos do álbum de família que quando reunidas contam a história de uma tragédia do passado que entrelaça três gerações de mulheres.

Ficha técnica:

A chuva antes de cair

Autor: Jonathan Coe

Tradução:  Christian Schwartz

Editora Record

256 páginas

Preço sugerido: R$ 29,00

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Lago sem nome

o-lago-sem-nomeNa autobiografia Lago sem nome, Diane Wei Liang dá seu testemunho dos acontecimentos históricos e pessoais vividos por ela durante o movimento pela democracia que terminou com o massacre da Praça da Paz Celestial, em Pequim, fornecendo um inestimável retrato social e político da China contemporânea. Trata-se do relato de uma jornada pessoal, uma história sobre amor e política, que vai da Revolução Cultural ao cenário definidor do país no fim da década de 1980. A autora Diane Wei Liang, que nasceu em 1966, narra sua vida antes do Massacre de Tiananmen – que completa 20 anos no dia 4 de junho –, quando precisou se mudar para os Estados Unidos. Da infância em um campo de trabalho numa região remota da China e sua ida para a universidade ao engajamento em questões políticas, que mudaram sua vida e a de seus amigos, culminando no terrível massacre de estudantes na Praça da Paz Celestial.

Ficha técnica:

Autora: Diane Wei Liang

Tradução: Ana Quintana

Editora Record

400 páginas

Preço sugerido: R$ 49,00
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O menino de Burma

o-menino-de-burmaBiyi Bandele, um dos cinquenta maiores autores da África, apresenta a comovente história de um menino africano tentando sobreviver à II Guerra. No inverno de 1944, a Grande Guerra entra em seu estágio decisivo. Ali Banana, ex-aprendiz de ferreiro, está atrás das linhas inimigas, cruzando a selva de Burma, como soldado da Brigada Thunder. Mas a selva é um lugar traiçoeiro, dominado por atiradores japoneses, emboscadas e doenças. Quando chuvas torrenciais transformam o cenário em uma mortífera armadilha de lama, as baixas se acumulam. Exaustos e longe de casa, os homens se veem cercados…

Burma, hoje Mianmar, se tornou ponto estratégico no cenário do sudeste asiático durante a guerra. A administração britânica ruiu frente ao avanço das tropas japonesas, prisões foram abertas e a capital, evacuada — com exceção dos anglo-burmaneses e indianos que permaneceram em seus postos. Mais de 300 mil pessoas fugiram pelas selvas até a Índia. Biyi Bandele é filho de um veterano da campanha de Burma. E é nas memórias do próprio pai que buscou a inspiração para contar a história da retomada do país.

Ficha técnica:

O menino de Burma

Autor: Biyi Bandele

Tradução: Heloísa Mourão

Editora Record

Preço sugerido: R$ 29,00

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Livros para entender a II Guerra Mundial

No dia 1º de setembro de 2009 estaremos completando 70 anos do início da Segunda Guerra Mundial. A tentativa de Adolf Hitler de implantar uma nova ordem na Europa, baseada em princípios nazistas que defendiam, dentre outros, a superioridade germânica e a supressão de direitos individuais e das liberdades, deixou mais de 70 milhões de mortos. Bem, a história da Segunda Guerra e suas consequências deixaremos para tratar mais adiante (isso é uma promessa!!!). Por enquanto, a nossa proposta é que vocês comecem a entender melhor o assunto, a partir da leitura de algumas obras que recomendamos a seguir.

Capa de Stálin, os nazistas e o OcidenteStálin, os nazistas e o Ocidente – a Segunda Guerra Mundial entre quatro paredes (Laurence Rees)


Capa do livro História II Guerra MundialHistória da Segunda Guerra Mundial (r.a. c. Parker)

Capa do livro Segunda Guerra MundialSegunda Guerra Mundial: relações internacionais do século 20 (Paulo Gilberto Fagundes Vizentini)
Capa do livro Segunda Guerra MundialSegunda Guerra Mundial – 1931 / 1945 (Paulo Vizentini)

São apenas quatro livros, a princípio. E aí, lá para o mês de agosto, teremos bastante material para discutir!!! À leitura, meninos e meninas!

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Livros explicam sobre religião e Santos Dumont para crianças e adolescentes

Mais dois bons lançamentos para quem pensa em presentear filhos ou sobrinhos com livros. Vale a dica ainda para professores que querem dar aquele diferencial nas aulas, incentivando seus alunos a exercitar o saudável ato de debater e respeitar ideias e opiniões divergentes. Confiram:

Entre a cruz e a estrela – uma criança e duas religiões

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Max é personagem principal desta história que fala sobre como é viver numa família formada por pessoas de duas religiões: o Cristianismo e o Judaísmo. A história começa no Natal e passa por outras datas festivas, como a Páscoa, comemorada de maneiras diferentes nas duas religiões. Personagens adultos, como os pais e os avós de Max, ajudam-no a entender estas diferenças. A história explica também alguns termos específicos de cada religião e traz às crianças uma reflexão quanto a importância de saber conviver com qualquer tipo de diferença. A autora, a psicóloga Maria Taliba Chalfon se inspira na história da própria família, formada por judeus e católicos.

Ficha técnica do livro:

Entre a cruz e a estrela – Uma criança e duas religiões
Autora: Mariana Taliba Chalfon
Ilustrações: George Acohamo
26 páginas
Preço sugerido: R$ 24,90

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O  Brasileiro Voador

Brasileiro voadorO Brasileiro Voador foi publicado originalmente em 2001. No livro, relançado pela Record, o autor Márcio Souza reconta a história de Alberto Santos Dumont, desde a chegada em Paris até o vôo no 14-Bis. O livro acompanha a trajetória do pai da aviação, unindo momentos marcantes a acontecimentos históricos, com narrativa leve e bem-humorada. Ótima leitura para adolescentes e adultos.

Mestre em recontar a história do Brasil, Márcio Souza cria um divertido álbum de recortes que une os momentos marcantes da vida de Santos Dumont aos principais acontecimentos da época em que viveu o pai da aviação.

Sobre o personagem

Santos DumontEm 1893, o mineiro Alberto Santos Dumont chega a Paris. De francês, tem apenas um sobrenome e alguns parentes. Leitor voraz de Julio Verne na infância, ele renuncia a uma vida confortável como herdeiro de uma fazenda de café em Ribeirão Preto, para conquistar, na Europa, o ar. Financia seu primeiro voo de balão; mais tarde, passa a construir seus próprios dirigíveis. A bordo do No 6, contorna a Torre Eiffel, num episódio que assombra Paris, rendendo-lhe um prêmio de cem mil francos. Seu nome vira manchete de jornais e seu hangar torna-se tão concorrido quanto os ateliês de pintores da época. Ao contrário do irmãos Wright, que realizavam voos isolados, Santos Dumont fazia aparições públicas, atraindo as multidões. Em 1906, o lacônico inventor alça o voo mais alto de sua carreira. Conduzindo um aparelho motorizado mais pesado que o ar, o célebre 14-Bis, torna-se o primeiro homem a voar por seus próprios meios. Apesar da fama, Santos Dumont sentia-se um incompreendido, tanto no Brasil, quanto na França. Ao destruir seus diários, tornou sua vida pessoal ainda mais nebulosa para a posteridade. Os rumos industriais que a aviação tomou não correspondiam exatamente às suas previsões. Desiludido, o inventor morreu em 1932.

Sobre o autor

Marcio souzaMárcio Souza nasceu em Manaus em 1946. Formado em Ciências Sociais pela USP, começou a vida profissional no cinema, como crítico, roteirista e diretor. Tem ainda uma sólida carreira de dramaturgo. Seu primeiro livro foi Galvez Imperador do Acre, de 1976. A carreira como escritor já conta com mais de vinte títulos, entre eles Mad Maria (livro que deu origem à minissérie da TV Globo).

Ficha técnica do livro:

O brasileiro voador
Autor: Márcio Souza
Editora: Record
304 páginas
Preço sugerido: R$ 42,00

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A nós, “as poderosas rainhas”

Amy, a filha Emily e o gato Pumpking, personagens da vida da escritora
Amy, a filha Emily e o gato Pumpking, personagens da vida da escritora

Semana passada li o livro “As Poderosas Rainhas”, de Amy Dickinson, para fazer uma nota que será publicada no Jornal A TARDE desta quarta-feira, 13. O título caiu em minhas mãos por acaso. Confesso, na hora não pensei que a publicação poderia tratar do universo feminino. Ela foi retirada de uma estante cheia de outras obras e me foi entregue. Apenas peguei o livro e guardei, sem nem mesmo ler a orelha para saber do que se tratava. Tive uma grata surpresa ao descobrir que o volume era a autobiografia da autora, uma jornalista que assina uma coluna sobre aconselhamento familiar, publicada em uma série de jornais pelo mundo e lida por cerca de 22 milhões de pessoas por dia, de acordo com as estimativas.

O que o livro tem de especial? Para mim, o fato de tratar da história de uma mulher que enfrentou uma série de dificuldades emocionais, mas conseguiu superar os traumas e vencer na vida. Não é um livro de autoajuda. É um livro que traz uma história de vida. Amy renunciou à Amy e a filha Emilyprofissão para seguir a carreira de esposa e mãe. Repentinamente, seu casamento se desfaz e ela se vê no mundo sozinha e com uma filha pra criar. Decide, então, voltar à cidade natal, sem perspectiva de como recomeçar. Não há muitos planos, nem ideias. Mas há uma família unida e uma filha que precisa ser criada. São doze capítulos da história de Amy, que vai desde sua infância com a família na fazenda à volta por cima, quando conquista o trabalho dos seus sonhos e o reconhecimento profissional.

O texto é gostoso, leve e muito bem escrito. As palavras são carregadas de emoção, mas sem apelo. A sensação é que você está sentada em algum lugar, batendo papo com uma amiga. No final das contas, não deixa de ser uma lição de vida. Aliás, o livro de Amy chega a ser um incentivo. Tantas vezes deixamos de acreditar, e isso é normal. Tentamos dar um rumo à vida, e às vezes ela segue outro. Mas isso não significa que não podemos recomeçar. Significa apenas que precisamos recomeçar. E uma das coisas mais bacanas na leitura é acompanhar todo o processo de superação, que contou com a participação ativa de uma série de mulheres, as mulheres da família dela, as que ela chama carinhosamente de “poderosas rainhas”.

A história é de Amy Dickinson, mas poderia ser a história de qualquer uma de nós, mulheres, que muitas vezes Capa de As Poderosas Rainhasficamos diante de situações complicadas, desacreditadas, sem esperanças. Amy consegue narrar sua história sem se colocar como vítima. Ela é, naquelas linhas, apenas uma mulher em busca de um lugar ao sol.

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SERVIÇO
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>> As Poderosas Rainhas
>> Amy Dickinson
>> 208 páginas | R$ 34,90
>> Acesse o site do livro

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Lançamentos infanto-juvenis falam de Buda e amizade

Dois lançamentos chegam às livrarias agora em maio para atender aos públicos adolescente e infantil em idade pré-escolar. Conversa de Menina segue firme na campanha de incentivo à leitura e ajuda a divulgar as novidades. Confira:

Sidarta para Jovens

O escritor e jornalista carioca, Bruno Pacheco, autor de Histórias para se ver por outro lado e Três fábulas budistas para crianças, é praticante dos ensinamentos do Budismo há 15 anos. Através da própria experiência, ele conta para os adolescentes a vida do príncipe Sidarta Gautama, o Buda. Com linguagem de fácil compreensão, o autor revela como um príncipe indiano descobriu o caminho da paz e da compreensão universal através da iluminação espiritual. Parece papo zen, mas o bacana do texto é que a vida de Buda foi uma verdadeira aventura. Há 2.500 anos, ele deixou tudo para trás, seu palácio e seu reino, riquezas e jóias, e passou anos viajando e descobrindo o mundo, para depois aplicar os ensinamentos que adquiriu na busca da felicidade. Quem de nós, em qualquer idade, não quer ser feliz? No mundo de hoje, em que valores como solidariedade estão esquecidos, é leitura inspiradora também para os adultos.

Ficha técnica:

sidarta_blog1SIDARTA PARA JOVENS

Autor: Bruno Pacheco

Galera Record – visite o site da editora

64 páginas

Preço sugerido: R$ 24,00

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Coleção Gato Xadrez para os pequenos

Os três livrinhos da coleção são indicados para crianças a partir dos cinco anos. Através das aventuras do Gato Xadrez, a autora Bia Villela ensina sobre amizade, o tempo, os sentidos e dá dicas de alimentação saudável. Conteúdos que as crianças irão estudar quando forem mais velhas, como geometria, também são introduzidos de forma lúdica.

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Gato Xadrez no Jardim Geométrico – Em seu passio pelo jardim geométrico, o gato xadrez faz novos amigos e descobre muitas brincadeiras interessantes para compartilhar em grupo. O livro apresenta as formas geométricas para as crianças e aborda as relações de curiosidade e descobertas do univerno infantil.

Gato Xadrez no Jardim das Delícias – Dessa vez, o gatinho conhece um jardim onde acontece uma feira muito animada e colorida, cheia de coisas gostosas para ele provar. O livro aborda o ato de comer como um momento de grande diversão, ajudando as crianças a explorar a riqueza e o sabor dos alimentos.

Gato Xadrez no Jardim no Relógio – No terceiro volume da série, o Gato Xadrez é convidado a passear em um lugar engraçado, onde existe horário para tudo. Através dessa história, a autora ajuda as crianças a compreender a importância da organização e de saber administrar o tempo para que ele renda tanto para brincar quanto para estudar, dormir, comer e etc.

Ficha técnica:

COLEÇÃO GATO XADREZ

Autora: Bia Villela

Editora: Escala Educacional

24 páginas cada volume

Preço sugerido por livro: R$ 16,70

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Literatura de qualidade na rede

 

Quem, nos seus devaneios de infância, nunca sonhou em encontrar um manuscrito raro dentro de uma garrafa que veio dar na praia? A ideia de um acervo virtual que disponibiliza toda a rara e antiga produção da humanidade é bem parecida com esse sonho infantil
Quem, nos seus devaneios de infância, nunca sonhou em encontrar um manuscrito raro dentro de uma garrafa que veio dar na praia? A ideia de um acervo virtual que disponibiliza toda a rara e antiga produção da humanidade é bem parecida com esse sonho infantil

 

Boas novidades para amantes da literatura e pesquisadores em geral. Na última terça-feira, dia 21, a Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) lançou, em Paris, a Biblioteca Digital Mundial (World Digital Library – WDL). O objetivo é disponibilizar acervo raro como livros, manuscritos, filmes, ilustrações e fotos para estudiosos e curiosos. Até agora, já digitalizaram 1,4 mil documentos  de 32 bibliotecas em 19 países.

Segundo nota divulgada no Portal da Imprensa, o internauta poderá acessar os links com informações completas, fazer download e até converter as peças em PDF. A intenção é fazer com que o grande público tenha acesso às obras raras. O site está em sete idiomas, incluindo o português.

Para saber mais sobre o WDL, leia reportagem publicada na Folha On line.

Outra boa pedida é pesquisar no site Estante Virtual, que reúne sebos de diversos estados. A página, além de trazer dicas de livros que nem sempre são possíveis de encontrar em livrarias comuns, tem ainda uma boa sessão para que os internautas comentem as obras disponiveis que eles já leram. Assim, antes de comprar, você tem acesso a opinião de quem já leu. Muitas vezes, confiamos mais na opinião de pessoas que tem uma realidade mais parecida com a nossa e tem necessidades semelhantes, do que na opinião da crítica especializada. Embora o trabalho dos críticos mereça todo respeito.

Para terminar as dicas, uma reflexão de Eric Schmidt, da Google, enviada para mim por uma amiga, também jornalista e blogueira:

“Ainda acredito que sentar e ler um livro é a melhor forma de aprender alguma coisa. Eu temo que estejamos perdendo isso. Se você pegar qualquer platéia de pessoas em educação, é importante que comecemos pela leitura”.

E é isso mesmo meninas e meninos, nada substitui um bom livro, nem toda tecnologia do mundo. No máximo, google, WDL, Estante Virtual e tantos outros sites vão facilitar a busca por documentos raros e informações, vão ampliar o nosso acesso a acervos que ficam muitas vezes trancados e ao alcance apenas de estudiosos, mas sempre, sempre mesmo que vocês tiverem a chance, leiam a obra impressa e visitem a biblioteca mais próxima da sua casa, lá tem coisas surpreendentes, aposto!

Vejam a entrevista completa de Eric Schmidt aqui neste link.

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Agatha Christie, a rainha do crime

Agatha ChristieMeu fascínio pelos livros policiais começou com a leitura de Agatha Christie. Na época, eu estava com uns 15 anos e fazia curso de inglês na Acbeu. Lá, tinha uma biblioteca vasta. Não apenas livros em inglês, mas diversos outros, muito interessantes, em português, tanto da literatura nacional, quanto internacional. Um dia, em uma das estantes, lá estava Convite para um Homicídio. Eu sempre gostei de histórias com investigações criminais e muito suspense. E na orelha no livro,  o anúncio de que ali poderia conter uma narração interessante me fez locá-lo. Não, eu não sabia quem era Agatha Christie naquele momento, e aquele livro foi o suficiente para me apaixonar pela literatura dela.

Dela, li praticamente tudo. Na época, chegava a ler um livro inteirinho por dia. Devorava as páginas enquanto tentava desvendar as histórias tão bem entrelaçadas. No final da leitura, eu já tinha acreditado que todo mundo podia ter sido o assassino. O tempo me fez compreender melhor a lógica narrativa… em alguns livros cheguei a descobrir, orgulhosa, o final da trama antes mesmo de chegar a ela. Mas na maioria dos casos, uma grande confusão se formava em minha cabeça, criava várias teorias e quando chegava aos capítulos finais, eram surpresas atrás de outras. Certa feita, ela anunciou: “Dentro de alguns anos, só quero ser lembrada como uma boa escritora de casos policiais”. Ela morreu em 1976, aos 85 anos, com o merecido título de “rainha do crime”.

Agatha ChristieReza a lenda que seus pais fizeram um esforço sobrenatural para trasnformá-la em cantora lírica e pianista. E para o nosso agrado, ainda bem que não conseguiram. Ela sempre preferia se dedicar aos contos e poemas. Sua estreia nos livros policiais foi com O Misterioso Caso de Styles, em 1920. De lá para cá, ela já vendeu nada menos que dois bilhões de livros por todo o mundo. Foi a publicação que fez nascer o detetive Hercule Poirot. Ele e a iniciante Miss Jane Marple (que estrela, inclusive, seu último livro, Um Crime Adormecido), foram os dois personagens eternizados pela escritora como as mentes investigativas mais brilhantes do mundo. Ah, e não foi só nos livros que ela brilhou, porque diversas de suas obras acabaram adaptadas para o cinema.

De onde alguém pode tirar tantas ideias criativas e inovadoras? Nem ela mesma respondia. Agatha Christie afirmava que nunca sabia onde as histórias poderiam nascer. Na sua autobiografia, ela conta que andava sempre com uma caneta em mãos. “Repentinamente, uma ideia esplêndida me ocorria”, conta ela em seu livro. Como viajou muito durante a vida e conheceu gente de todo o canto, gênero e estilo, deste universo ela retirava inspiração e referências para escrever seus livros. Em uma passagem, seu neto a descrevia como uma mulher que observava mais do que era observada e que ouvia mais do que falava.

Mas daí a se tornar a rainha do crime é um longo caminho. Mais do que vontade, observação e ouvidos atentos, precisa de muita dedicação, criatividade e um certo dom da escrita. Agatha Christie tinha dezenas de livros de anotações, onde reunia as tais ideias esplêndidas. Além disso, só começava a nova história, só colocava mesmo a trama no papel, quando já tinha em mente cada detalhe bem delineado. Só pra dimensionar, o livro O Inimigo Secreto surgiu de uma conversa em uma casa de chá; Assassinato no Campo de Golfe nasceu de um artigo sobre uma morte misteriosa na França; e uma viagem para assistir à apresentação de uma atriz levou à criação de Treze à Mesa.  É muita imaginação para uma pessoa só! E a gente agradece!

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Algumas curiosidades sobre Agatha Christie:
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>> Seu primeiro livro levou cinco anos para ser publicado e foi rejeitado por seis editoras.
>> Foi a única escritora policial que conseguiu fama e adoração para seus dois personagens (Hercule Poirot e Jane Marple).
>> Quando ela morreu, seu personagem Hercule Poirot ganhou uma página inteira no obituário do The New York Times.
>> Seus escritores favoritos eram Elizabeth Bowen e Graham Greene.
>> Uma de suas grandes paixões na vida era a música, especialmente as óperas de Wagner.
>> Ela escreveu seis romances sob o pseudônimo Mary Westmacott (ela conseguiu manter sua identidade em segredo durante 20 anos).
>> Ela levou 15 anos escrevendo sua autobiografia, entre 1950 e 1965.

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Mais informações:
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>> Site oficial (em inglês)
>> Relação de seus livros com um pequeno resumo de cada (aproveite para escolher por qual deles vai começar a ler)
>> Lista de todos os seus trabalhos (em inglês)

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Livros infantis para mudar o mundo

A leitura transforma os seres humanos. Como diz Guiomar de Grammont, no seu ensaio Ler devia ser proibido, a literatura abre portas para a imaginação, nos torna “perigosamente humanos”, nos dá visão crítica, capacidade de julgar, avaliar, escolher e, principalmente, opinar. E é com uma sociedade opinativa, crítica e imaginativa que podemos mudar o mundo, melhorá-lo e torná-lo mais justo. Por acreditar nessas premissas e para incentivar que o gosto pela leitura comece na infância, é que o Conversa de Menina apresenta para vocês a coleção Jeitos de mudar o mundo, da editora Escala Educacional. Idealizada pelo ilustrador Fernando Vilela e pela escritora Stela Barbieri, a coleção é formada por livros que se baseiam nas oito metas do milênio estabelecidas pelas Organização das Nações Unidas no ano 2000. Abaixo, uma pequena sinopse de cada livrinho da coleção e a meta do milênio ao qual ele está ligado…

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Leia também:
>>Livros que todo adulto precisa ler
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Na sombra do Baobá (mortalidade infantil)

baobaO livro conta a história de uma comunidade que vive à sombra de um imenso baobá. A árvore é o reservatório de água da aldeia em tempos de seca e a proteção da comunidade contra o terrível dragão devorador de crianças Nguma Monene. Um dia, Mafuane, uma mulher que queria muito ter filhos, reza embaixo do baobá para ter um bebê. Nasce Ilunga, uma criança minúscula, que cabia na palma da mão da sua mãe, mas era bastante forte. Certa feita, o terrível dragão ataca e rouba as crianças da aldeia, junto com elas, o pequeno Ilunga. Apesar do seu tamanho, ele demonstra que é capaz de grandes feitos…

A ponte (trabalho comunitário/ voluntariado)

ponte1Essa é a história de Guadalupe e Diego, amigos de infância que crescem e se casam.
O casal recebe um pedaço de terra de presente dos pais de Guadalupe. Com a ajuda dos homens e das mulheres da comunidade, erguem uma casa e depois preparam a terra para plantar o milho. O grande problema de todos os que moram no povoado é transportar os alimentos que produzem, por meio de canoas, até o outro lado do rio onde fica a cidade. O sonho deles é construir uma ponte…

O amigo dos animais (respeito ao meio ambiente)

amigos-dos-animaisCauã vive numa aldeia no meio da floresta dos tucanos. Todos em sua aldeia vivem felizes e só matam os animais para seu próprio sustento. Mas, os caçadores aparecem para matar milhares de animais com armas de fogo e Cauã não entende o porquê, pois aquela matança poderia alimentar seu povo por um ano; além disso, a cada dia a quantidade de animais diminui. Incomodado, Cauã pergunta ao pajé porque os caçadores matam tantos bichos e o Pajé explica que o homem branco não queria a caça, mas a riqueza que a caça trazia com a venda de sua pele. Indignado com essa situação, Cauã pensa numa forma de ajudar a floresta…

Gênio do poço encantado (combate às doenças endêmicas)

genioA Vila do Poço Encantado tem um reservatório de água limpa cuidado por um gênio generoso. Na vila, vivem os irmãos Kiri e Arun, filhos da lavadeira Sovann. Tudo vai bem na aldeia, as crianças adoram cantar e seu canto atrai reis e rainhas, até que um dia algumas pessoas da cidade começam a ficar doentes. A doença se espalha e cada dia mais e mais homens, mulheres e crianças adoecem. As ervas e os remédios disponíveis não conseguem curá-los. Arun, o filho da lavadeira Sovann também fica doente. Até que o gênio descobre que o povo está enterrando lixo perto do poço…

A menina do feijão suculento (fome e combate à miséria)

menina-e-feijaoMahura mora na roça, numa casa de barro vermelho. Seu divertimento predileto é andar pela estrada de terra e visitar os sítios vizinhos para brincar com as outras crianças.
Um dia para de chover, as plantações morrem, os animais começam a definhar e os rios a secar. As pessoas que vivem ali começam a passar fome e todos ficam desanimados, com exceção da menina. Ela encontra alguns grãos de feijão em um pote. Junto com sua mãe, resolve plantá-los. O rio é longe, mas todos os dias elas trazem um pouco de água para regar as sementes. Quando os feijões são colhidos não são suficientes para alimentar todas as pessoas, então Mahura tem uma ideia…

Radija e seus tapetes mágicos (igualdade de gênero)

radijaA narrativa mostra como Radija, estimulada pelas histórias contadas pelos mercadores de tapetes, desperta o desejo de ser livre em uma sociedade que valoriza os homens em detrimento das mulheres. Ela quer partir com as caravanas e viajar pelo mundo, mas seu pai não deixa porque ela é uma menina, até que Radija consegue mostrar o valor das mulheres na sociedade…

O reino dos mamulengos (educação)

mamulengosEssa é a história de Severino, um rapaz que resolveu sair pelo mundo em busca de sua sorte. Sua especialidade é fazer e manipular mamulengos. Ele aprendeu com o pai, que por sua vez aprendeu com o avô, que aprendeu com o bisavô, que aprendeu com o tataravô. Desse modo, faz parte de uma linhagem de bonequeiros, que criam mamulengos e interpretam histórias cheias de encanto e humor. Severino não sabe ler, o que o impede até de se defender de algumas ciladas. Mas, no Reino das Terras Altas, ele muda o seu destino…

Satiko e o vulcão (atenção à saúde da gestante)

satiko“Satiko e o vulcão” narra à história de Satiko que está grávida de sete meses e vive em uma aldeia às margens do lago de águas claras, aos pés do grande vulcão em uma pequena casa com o pai, senhor Sho, a mãe e o marido. Um dia, o pai de Satiko diz que o vulcão vai entrar em erupção e por isso todos precisam se mudar da aldeia. Mas, ninguém acredita nele. Então, o senhor Sho prepara embarcações de madeira para que todos possam fugir quando o vulcão entrar em erupção e depois da fuga, todos partem numa grande jornada em busca de outro lugar para morar…

Serviço:
Coleção Jeitos de mudar o mundo
Autora: Stela Barbieri
Ilustrador: Fernando Vilela
Editora: Escala Educacional
Preço sugerido: R$ 24,50 por livro

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Fernando Pessoa: “um enigma em pessoa”

Minha estima por Fernando Pessoa é comparada àquela que nutro por Pablo Neruda. Para mim, são dois grandes nomes da poesia do século XX, sem sombra de dúvidas. O português Pessoa, rei dos heterônimos. Sim, os personagens que criou durante a vida, todos eram carregados de personalidade forte e bem desenhada. Como não lembrar de Álvaro de Campos ou Alberto Caeiro, ou ainda de Ricardo Reis? Todos tão reais, facetas do Fernando Pessoa.

Fernando Pessoa

Sobre a vida de Pessoa, pouco sei. Recordo-me apenas de que viveu parte da adolescência na África do Sul, que perdeu o pai muito cedo, de tuberculose. Também lembro-me de ter lido em algum lugar sobre o gosto exagerado pelo álcool, vício que teria sido decisivo para a morte precoce, aos 47 anos, de cirrose hepática. E mesmo no leito de morte, Pessoa eternizou sua poesia, ao declarar “I know not what tomorrow will bring” (Não sei o que o amanhã trará).

“A tua carne calma é fria em meu querer. Os meus desejos são cansaços. Nem quero ter
nos braços meu sonho do teu ser.”

De tanto criar pessoas, Pessoa se recriou. A resposta que muitos buscavam era para a pergunta “quem é ele?”. Seus personagens tornaram sua vida mais misteriosa ainda. Muitos pensavam inclusive se não seria o próprio Pessoa mais um de seus personagens. Ele morreu sem nos esclarecer a questão. Melhor que tenha sido assim. É como a expressão usada pelo crítico brasileiro Frederico Barbosa: “Pessoa é um enigma em Pessoa”.

Fernando Pessoa

Não me canso de ler Fernando Pessoa. A cada leitura, redescubro um fascínio ainda maior por suas palavras. Fernando Pessoa me ganhou na primeira poesia que li dele, que diz: “Se depois de eu morrer, quiserem escrever a minha biografia, não há nada mais simples. Tem só duas datas – a da minha nascença e a de minha morte. Entre uma e outra todos os dias são meus”. Para uma adolescente em busca de seu próprio caminho, nada podia ser mais significativo.

“Não sei, mas meu ser tornou-se-me estranho.E eu sonho
sem ver os sonhos que tenho.”

A partir dali, viramos caça e caçador. Eu, em busca de tudo e qualquer coisa que tivesse a sua assinatura por trás. Logo em seguida, descobri os personagens que havia criado, soube das biografias que instituiu para cada um deles, das diferenças tão bem delineadas. Me apaixonei de vez. A sensação era que eu estava diante de uma pessoa imaginária, de tão discreta, cheia de imaginação e possuidora de um grau de intelectualidade intangível, fora do comum.

“És melhor do que tu. Não digas nada: sê! Graça do corpo nu
Que invisível se vê.
“

Algumas coisas de Pessoa seguem abaixo. Eu simplesmente não consigo fazer uma seleção. Cada texto que releio, volto a me apaixonar perdidamente, como se estivesse diante de uma primeira leitura. Cada linha que descubro me encobre de mais admiração. Não consigo pinçar da obra de Pessoa, coisas que mais gosto, ou que mais me instigam. Eu só consigo enxergá-lo como um conjunto. Pessoa é um todo e cada trecho é apenas uma parte, um pedaço do universo que é sua poesia.

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Para inspirar
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Cancioneiro

Nota preliminar
2 – Todo o estado de alma é uma passagem. Isto é, todo o estado de alma é não só representável por uma paisagem, mas verdadeiramente uma paisagem. Há em nós um espaço interior onde a matéria da nossa vida física se agita. Assim uma tristeza é um lago morto dentro de nós, uma alegria um dia de sol no nosso espírito. E – mesmo que se não queira admitir que todo o estado de alma é uma paisagem – pode ao menos admitir-se que todo o estado de alma se pode representar por uma paisagem. Se eu disser “Há sol nos meus pensamentos”, ninguém compreenderá que os meus pensamentos são tristes.

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Tenho tanto sentimento

Tenho tanto sentimento
Que é frequente persuadir-me
De que sou sentimental,
Mas reconheço, ao medir-me,
Que tudo isso é pensamento,
Que não senti afinal.

Temos, todos que vivemos,
Uma vida que é vivida
E outra vida que é pensada,
E a única vida que temos
É essa que é dividida
Entre a verdadeira e a errada.

Qual porém é a verdadeira
E qual errada, ninguém
Nos saberá explicar;
E vivemos de maneira
Que a vida que a gente tem
É a que tem que pensar.

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Entre O Sono E Sonho

Entre o sono e sonho,
Entre mim e o que em mim
É o quem eu me suponho
Corre um rio sem fim.

Passou por outras margens,
Diversas mais além,
Naquelas várias viagens
Que todo o rio tem.

Chegou onde hoje habito
A casa que hoje sou.
Passa, se eu me medito;
Se desperto, passou.

E quem me sinto e morre
No que me liga a mim
Dorme onde o rio corre –
Esse rio sem fim.

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Grandes mistérios habitam

Grandes mistérios habitam
O limiar do meu ser,
O limiar onde hesitam
Grandes pássaros que fitam
Meu transpor tardo de os ver.

São aves cheias de abismo,
Como nos sonhos as há.
Hesito se sondo e cismo,
E à minha alma é cataclismo
O limiar onde está.

Então desperto do sonho
E sou alegre da luz,
Inda que em dia tristonho;
Porque o limiar é medonho
E todo passo é uma cruz.

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Viajar! Perder países!

Viajar! Perder países!
Ser outro constantemente,
Por a alma não ter raízes
De viver de ver somente!

Não pertencer nem a mim!
Ir em frente, ir a seguir
A ausência de ter um fim,
E a ânsia de o conseguir!

Viajar assim é viagem.
Mas faço-o sem ter de meu
Mais que o sonho da passagem.
O resto é só terra e céu.

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Análise

Tão abstrata é a idéia do teu ser
Que me vem de te olhar, que, ao entreter
Os meus olhos nos teus, perço-os de vista,
E nada fica em meu olhar, e dista
Teu corpo do meu ver tão longemente,
E a idéia do teu ser fica tão rente
Ao meu pensar olhar-te, e ao saber-me
Sabendo que tu és, que, só por ter-me
Consciente de ti, nem a mim sinto.
E assim, neste ignorar-me a ver-te, minto
A ilusão da sensação, e sonho,
Não te vendo, nem vendo, nem sabendo
Que te vejo, ou sequer que sou, risonho
Do interior crepúsculo tristonho
Em que sinto que sonho o que me sinto sendo.

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Para ler
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alvaro de camposPoesia Completa de Álvaro de Campos

ricardo reisPoesia Completa de Ricardo Reis

alberto caeiroPoesia Completa de Alberto Caeiro

obra poéticaObras Poéticas

desassossegoLivro do Desassossego

pessoaE tudo mais que você achar!!!

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Hannah Arendt: filósofa, judia e mulher

Hannah Arendt integra a minha lista pessoal das mulheres mais importantes da história da humanidade. Não apenas porque sua trajetória de vida nos apresenta uma mulher guerreira, de origem judia, nascida na Alemanha, e que sofreu na pele a perseguição do regime nazista de Hitler, mas também porque se impôs e fez-se reconhecer como pensadora, filósofa, que se dedicou a mudar as ideologias Hannah Arendtsociais de sua época, através de seus escritos sobre, por exemplo, os regimes totalitários, a política e o conceito de liberdade. Ela foi uma verdadeira cientista política, uma mulher que se empenhou nos estudos críticos e conseguiu transformar o pensamento ocidental.

Para quem quer se aprofundar nos estudos sobre a ideologia política contemporânea, é salutar acrescentar Hannah Arendt à lista de bibliografia essencial. Depois de concluir o doutorado em filosofia, na Universidade de Heidelberg (1928), ela sofreu os efeitos do racismo anti-semita e foi obrigada a se refugiar em Paris. Lá, trabalhou com refugiados judeus e teve o privilégio de estudar com Karl Jaspers e Martin Heidegger (com quem manteve um complicado relacionamento amoroso). A vida não foi das mais fáceis para ela. Já no início da década de 40, a França foi ocupada pelos nazistas e Hannah precisou novamente fugir, desta vez para os Estados Unidos, naturalizando-se cidadã norte-americana. É nessa época que ela lança sua primeira obra “Origens do Totalitarismo” (1951), que virou um clássico e entrou para o rol das grandes contribuições literárias para a compreensão do regime totalitário.

A narrativa começa com a ascenção do anti-semitismo na Europa oitocentista e segue pela análise do imperialismo colonial europeu de 1884 até a deflagração da Primeira Guerra Mundial. Um dos grandes méritos da publicação está em dissecar a Alemanha nazista e a Rússia estalinista. A escritora faz um desenho preciso da transformação por que passou as classes sociais e a formação das massas, ressaltando inclusive a função da Hannah Arendt propaganda no território não totalitário. Ela consegue, com maestria, explicar como a manipulação do terror e do medo são indispensáveis para a manutenção destes tipos de governo, e arremata com uma análise detalhada do estado de solidão dos indivíduos enquanto condição determinante para o domínio absoluto do Estado totalitário.

Novas polêmicas ancoraram com “Eichmann em Jerusalém” (1963), em que denunciava a participação das lideranças judaicas no extermínio promovido pelos nazistas na 2ª Guerra Mundial. O livro, que faz uma análise do julgamento do oficial nazista responsável pela organização dos campos de extermínio, Adolf Eichmann, fez brotar o conceito da banalidade do mal. Em linhas gerais, ela pontua que embora os atos cometidos pelos seguidores de Hitler sejam considerados monstruosos, muitos deles não eram sádicos nem pervertidos. Eles apenas cumpriam ordens. E completa: “mas eram e ainda são terrível e assustadoramente normais”. O estudo do inquérito policial, do seu comportamento durante o julgamento e do histórico de vida de Eichmann levaram-na à conclusão de que as suas atitudes derivavam de uma “curiosa e bastante autêntica incapacidade de pensar”. Esta é a essência da banalidade do mal, e, basta uma observação supercial da nossa realidade, veremos que se aplica perfeitamente aos nossos dias.

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Livros: veja a cotação dos preços e compre
>> Eichmann em Jerusalém
>> A condição Humana
>> Entre o Passado e o Futuro
>> Origens do Totalitarismo
>> Nos Passos de Hannah Arendt (biografia escrita por Laure Adler)
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Juntos, os dois livros mostram-se absolutamente indispensáveis para o entendimento do que foi o século XX. A eles, somam-se tantos outros, como “Entre o Passado e o Futuro”, no qual aborda o discurso político do século XX. Afinal, foi ela personagem de toda essa transformação por que passou a sociedade da época. E não há como esquecer de “A Condição Humana”, uma ampla reflexão sobre as práticas políticas do século passado e a teoria que as envolve. O que mais me fascina em Hannah Arendt, além de sua linguagem ousada e das críticas fundamentadas, é a forma como remonta toda uma era, adotando uma postura de enfrentamento da realidade e combate. É importante destacar que, apesar do berço judeu, Hannah Arendt não foi criada sob os dogmas religiosos e tradicionais.  

Alguns autores se referiram a Hannah Arendt como a teórica do inconformismo. Pra mim este rótulo consegue refletir a importância do pensamento dela. Inconformada, disseminou seus ideais, ganhou adeptos e contribuiu para a transformação social. Hannah Arendt é uma mulher que disse muita coisa, mas que poucas pessoas leram. Revisitar as obras de pensadores como Hannah Arendt me faz recordar uma frase de Pascal, matemático e filósofo francês. Ele dizia: “Nada é mais difícil que pensar”. Embora difícil, é uma arte que precisa de exercício contínuo. É o exercício constante da mente que nos faz adquirir elementos para a resolução dos tantos problemas. Que muitos se inspirem nela e comecem agora, porque nunca é tarde, a pensar.

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