Manual de instruções para mães e babás

Robin Williams em cena de Uma Babá Quase Perfeita
Robin Williams em cena de Uma Babá Quase Perfeita

Quem tem filhos pequenos vai apreciar essa dica. A escritora Roberta Palermo criou um manual de instruções para ajudar mães e babás, tanto do ponto de vista do relacionamento justo entre empregadora e colaboradora, quanto com informações sobre adaptação da babá à rotina familiar, conhecimento da legislação trabalhista para os dois lados, além das orientações sobre como lidar com conflitos.

Whoopi Goldberg vive mais uma babá nota 10, Corina
Whoopi Goldberg vive mais uma babá nota 10, Corina

Para a autora, a babá é hoje uma das profissionais mais importantes na vida das famílias. A relação entre mãe e babá, no entanto, nem sempre é equilibrada e harmoniosa. Muitas dúvidas permeiam o relacionamento, da falta de informações básicas sobre os direitos da babá até o que realmente deve ser delegado a ela. Para esclarecer o papel de cada uma, Roberta Palermo, que é terapeuta de família, idealizou o livro Babá/Mãe – Manual de instruções, lançamento da Mescla Editorial. A obra traz orientações tanto para a mãe quanto para a babá. Entrelaçados, os dois guias orientam e oferecem dicas essenciais que visam a educação e o bem-estar da criança.

Resultado de um trabalho de dois anos, incluindo uma longa pesquisa para a monografia da terapeuta e a experiência adquirida no curso de formação para babás que ela coordena há cinco anos, o livro esclarece dúvidas e aborda questões para aproximar mãe e babá.

Julie Andrews vive uma babá sobrenatural em Mary Poppins
Julie Andrews vive uma babá sobrenatural em Mary Poppins

A obra é dividida em duas partes, contemplando os dois lados. O “Guia para a babá” traz dicas eficazes para que as babás exerçam o seu trabalho de maneira produtiva e alegre. Entre os temas abordados estão os benefícios e as dificuldades da profissão; a melhor maneira de se adaptar à rotina da nova família; o que fazer quando não se concorda com as regras estabelecidas pela mãe da criança; e como transmitir aos pais segurança e responsabilidade.

Já no “Guia para a mãe”, a autora mostra o papel da babá na educação da criança, destacando o que as mães podem – e o que não podem – esperar e cobrar dela. O guia reúne dicas práticas para encontrar uma boa babá, ajudá-la a se adaptar ao trabalho, à rotina da casa e à família e mostra que a babá deve ser uma parceira da família nos cuidados com a criança.

A babá durana que na verdade é uma fada também é personagem de Emma Tompson em Nanny Mcphee
A babá durana que na verdade é uma fada também é personagem de Emma Tompson em Nanny Mcphee

A autora aborda também aspectos importantes da legislação trabalhista.

O prefácio da obra é assinado pelo pediatra Eduardo Juan Troster, médico coordenador do CTI Pediátrico do Hospital Albert Einstein.

Ficha técnica:
mae babaBabá / Mãe – Manual de instruções – Guia para a mãe / Guia para a babá

Autora: Roberta Palermo

Editora: Mescla Editorial

Preço sugerido: R$ 33,90

160 páginas

Atendimento ao consumidor: 11-3865-9890

Visite o site da editora www.mescla.com.br

Visite também o site da autora: www.robertapalermo.com.br

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Guia esclarece direitos de pacientes com câncer

A autora, Antonieta Barbosa
A autora, Antonieta Barbosa

A dica de leitura de hoje é voltada para pacientes com câncer e/ou seus amigos e familiares. Trata-se do livro Câncer – Direito e Cidadania, escrito pela advogada Antonieta Barbosa, ela mesma uma ex-paciente de câncer de mama que viveu toda a burocracia do estado na busca do reconhecimento de seus direitos ao tratamento. O livro está na 12ª edição e visa conscientizar os doentes de seus direitos, estimulando-os a exigir o cumprimento das leis e a resgatar sua cidadania. Os pacientes desconhecem, por exemplo, que têm direitos assegurados por lei. A obra esclarece, além de toda dificuldade da doença, os caminhos legais, as repartições dos órgãos públicos e toda documentação necessária para benefícios, como:

– saque total do FGTS, PIS/PASEP para pacientes e dependentes;

– licença remunerada;

– aposentadoria por invalidez;

– auxílio-doença;

– financiamento de imóvel;

– isenção de IPI, ICMS e IPVA na compra de automóvel com câmbio automático e direção hidráulica;

– liberação do rodízio;

– passagem livre no transporte público (São Paulo e Rio de Janeiro);

– renda mensal vitalícia;

– isenção de IR sobre aposentadoria, reforma e pensão;

– assistência farmacêutica (medicamentos gratuitos pelo SUS);

– preferência no julgamento de ações na justiça;

– cirurgia plástica reconstrutora de mamas.

Por sua importância, a obra tem sido referenciada em petições iniciais e até em decisões judiciais proferidas por juízes nos tribunais do país.

Sobre o câncer – Segundo os últimos dados do INCA – Instituto Nacional de Câncer – em 2008, a estimativa era de 466.730 novos casos de câncer no Brasil. A Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que esse número chegue a um milhão, se considerado os casos não notificados.

Ficha Técnica

direitoCâncer – Direito e Cidadania

Autor: Antonieta Barbosa

Pág.: 400

Preço sugerido: R$ 44,90

Editora: Arx

Acesse aqui o site da advogada Antonieta Barbosa

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Larousse lança coleção que é uma “mão na colher”

cookMeninas, longe de mim querer que vocês virem “amélias” como aquelas de antigamente, que esquentavam a barriga no fogão e esfriavam no tanque, mas eu, particularmente, adoro cozinhar. Como sempre têm aqueles que mal sabem diferenciar uma frigideira de uma panela de arroz e há ainda os que nem sequer fritam um ovo, sempre surgem aqueles manuaizinhos de culinária que são literalmente uma “mão na colher”. Na medida do possível e do tempo corrido, adoro testar receitas. O lançamento mais recente na área é uma coleção em quatro volumes da Larousse do Brasil,  chamada Cozinha Passo a Passo, escrita pela americana Keda Black, que aprendeu a cozinhar com a avó. Vó é o canal quando se trata de aprender a cozinhar de forma gostosa e simples e passo a passo é o método, porque aprender a cozinhar exige uma certa dose de paciência digna de alquimista. A coleção da Larousse tem ao todo quatro títulos: Pratos Básicos, Confeitaria, Chocolate e Cozinha Italiana. O primeiro já está nas livrarias,  Pratos Básicos, que é para quem não sabe cozinhar nada, nem água fervida para dissolver nescafé, começar a experimentar a coisa pelo começo mesmo, fazendo receitinhas simples como molhos, um franguinho assado bem tenro, um arroz soltinho e coisas assim, cotidianas e deliciosas.

O volume Pratos Básicos apresenta 80 receitas indispensáveis e ilustradas, passo a passo. Sâo aqueles pratos do dia a dia que nunca saem de moda, adaptados ao gosto atual  como carne assada, frango assado, sopa de abóbora … e os  novos clássicos  como tajine de coelho, mussacá light, variações do molho pesto, entre outros. A coleção atende aos iniciantes, mas também traz umas novidades para os veteranos da gastronomia. Cozinhar é como andar de bicicleta, tem de praticar para ficar craque. As receitas são ricamente ilustradas, com textos curtos e objetivos. Não tem nada pior num livro de culinária do que autor gourmet que começa a falar difícil e deixa você completamente confusa.

Em seis capítulos você passeia pelos pratos clássicos, massas e arroz, carnes, peixes, legumes e sobremesas. Três índices ajudam o leitor na busca por tipo de prato, receita ou ingrediente. Já no glossário, há dicas de como escolher a melhor mozarela, como fazer um chantili, explica-se o que é o Tajine e que para fazer arroz-doce e risoto, por exemplo, é aconselhável escolher o arroz de grão redondo.

O caminho das panelas:

cozinhappCozinha Passo a Passo – Pratos Básicos

192 páginas

Autora: Keda Black

Fotografias: Frédéric Lucano

Tradução: Marcos Barboza

Editora: Larousse do Brasil

Preço: R$ 84,00

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Livro trata do drama do aborto espontâneo

Muito se fala do aborto quando é uma opção da mulher. De um lado há os que condenam, do outro os que defendem. Razões científicas confrontam-se com os tabus religiosos. No centro da discussão, a alma humana, “a centelha divina”, as crenças de cada um, que antes de serem julgadas, devem ser compreendidas. No entanto, pouco se fala da situação daquelas mães que anseiam por um filho, engravidam, planejam a chegada do bebê e de repente, por uma fatalidade, perdem a criança. É justamente sobre as histórias dessas mães que fala o livro Maternidade Interrompida, organizado pela educadora portuguesa Maria Manuela Pontes e lançado pela editora Ágora.

Maternidade Interrompida traz depoimentos de mães que sofreram aborto espontâneo – inclusive a organizadora do livro passou pela difícil experiência duas vezes – e a partir da própria dor, decidiu criar a associação Projecto Artémis, para apoiar mulheres vítimas de perda gestacional. A ong, em Portugal, oferece atendimento psicológico e aconselhamento às mães e a seus familiares.

Manuela, depois dos abortos espontâneos, engravidou mais duas vezes e hoje é mãe de uma menina e um menino, de sete e três anos, respectivamente. No entanto, por atuar ao lado de mulheres que viveram essa situação, decidiu reunir em livro as experiências, no intuito de ajudar outras mães dentro e fora de Portugal.

A ideia é de catarse mesmo, de viver o luto pelo bebê que não veio, dividir a dor com outras mulheres que passaram pelo mesmo e a partir daí, fortalecer-se para tentar de novo. Embora tenha histórias comoventes, não se trata de um livro triste, mas de uma forma de garantir que as mães interrompidas superem a depressão e tenham esperanças no futuro, inclusive no sucesso de uma nova gravidez, o que vai depender, claro, da situação de cada mulher.

A obra reúne experiências singulares de mulheres de diversas idades, condições sociais e profissões,  que compartilham suas histórias ao longo de quatro capítulos. Mas a intenção não é explorar a dor alheia, e sim fornecer informações para que quem sofreu aborto espontâneo, familiares e até profissionais de saúde, saibam como lidar com a situação.

Para Manuela, o aborto espontâneo, embora tenha alta ocorrência em todo o mundo, ainda é um tema pouco divulgado. “Existe um enorme silêncio ao redor do assunto, com nuances de um tabu que deve ser quebrado. É preciso dignificar e conhecer a perda gestacional para que, de forma correta e humana, possamos ajudar essas mulheres”, afirma a autora.

Ficha Técnica:

Livro_Maternidade-InterrompidaMaternidade Interrompida

Organizadora: Maria Manuela Pontes

Editora: Ágora

216 páginas

Preço: R$ 45,90

Visite o site da editora: www.editoraagora.com.br

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E por falar em Caio Fernando Abreu…

CAIOO escritor Caio Fernando Abreu, citado no post abaixo sobre o projeto de podcast que resgata a obra de grandes autores brasileiros, acaba de ganhar uma biografia escrita por Paula Dip, de quem foi amigo por mais de 20 anos. Não é uma biografia convencional, mas a reunião de cartas e bilhetes que os dois trocaram durante o tempo em que compartilharam ideias e sonhos.

Polêmico, intenso (visceral seria a palavra mais adequada), sarcástico e genial, assim era Caio Fernando Abreu (e aqui peço licença às meninas para tecer loas a um menino). Paula Dip, amiga de longa data, muitas vezes virou personagem das histórias do autor. Histórias essas que traduziam o cotidiano miudinho, esse que todos nós vivemos na carne diariamente. Não tem como ler os contos de Morangos Mofados, sua obra mais famosa – inclusive o livro é dedicado à Paula Dip –, sem se identificar em cada linha.

No livro Para Sempre Teu, Caio F., Paula conta histórias de quem pertencia ao mundo do autor, dividindo com ele segredos, alegrias e angústias, até sua morte, vítima de Aids, em 1996. Há também depoimentos de artistas que conviveram de perto com Caio Fernando, como Cazuza e Ney Matogrosso.

Lygia Fagundes Telles dizia que Caio Fernando Abreu era o “escritor da paixão”. E a autora de As horas nuas – outro libelo aos encantos da vida diária – tinha razão. Ele era mesmo intenso em tudo o que fazia. Tem alma em cada palavra escrita pelo autor. É um pouco da força dessa alma que Paula Dip tenta trazer para as páginas de Para Sempre Teu, Caio F.

A biografia se propõe a desvendar um pouco da personalidade de um dos autores que melhor traduziu seu tempo no cenário cultural brasileiro.  Escritor, jornalista, roteirista, dramaturgo, ator e até astrólogo, de tudo Caio Fernando fez na vida. Principalmente, viveu intensamente os transgressores anos 80. Quando penso na obra desse escritor em particular,sendo que a obra é o espelho do artista, lembro de uma frase do filme Lisbela e o prisioneiro: “quero queimar minha vida de uma vez só, num fogo bem forte!”.

Ficha Técnica

Para sempre teu, Caio F.
Cartas, conversas, memórias de Caio Fernando Abreu

Autora: Paula Dip

Editora:  Record

504 páginas

Preço: R$ 58,00

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Livro conta história do vestuário do Egito ao século XIX

Quem nunca ficou curiosa em saber porque as mulheres no século XVIII usavam armações de arame por baixo das longas saias? E o corpete? Que tortura! E a roupa da Cleópatra, como era? E no dia-a-dia, os egípcios se vestiam como aparecem nos filmes épicos? E o cumprimento das saias, diminuiu, aumentou, diminuiu de novo…De tanto ler referências às roupas e calçados na literatura e em obras acadêmicas, percebi que a história da moda é fascinante a ponto de revelar, através do vestuário, traços da cultura e da evolução humana. Não é à toa que os autores de ficção detalham peças da indumentária como uma forma de revelar algo mais sobre a personalidade das personagens. E moda não é só tema de interesse de fashionista, tem historiador, antropólogo, sociólogo se debruçando sobre os hábitos e modos de vestir. Pintores também. Há alguns anos, ganhei de aniversário uma edição belíssima dos Cadernos de Viagem de Debret, o livro é um deleite para os olhos, porque traz belos desenhos do artista e equivale a uma crônica de costumes, pois revela o cotidiano nas ruas do Rio de Janeiro no século XIX. São dezenas de gravuras com detalhes sobre as roupas usadas na época. Do torço das crioulas, aos vestidos das sinhazinhas, passando por acessórios como sapatos e luvas.

Ficou interessada? Recentemente, a Publifolha lançou a História Ilustrada do Vestuário, obra anunciada como de referência para historiadores, estilistas, figurinistas, estudantes e apreciadores de moda em geral. A publicação apresenta uma rica pesquisa baseada em dados históricos e informações descritivas da indumentária desde o Egito antigo até o final do século 19, ou seja, milênios da história da humanidade contada a partir do que as pessoas vestiam.

O título combina informações históricas inéditas, estudos e ilustrações de dois artistas gráficos clássicos: Auguste Racinet e Friedrich Hottenroth, com imagens extraídas das obras Le Costume Historique (O vestuário histórico) e Trachten, Haus-, Feld- und Kriegsgerätschaften der Völker alter und neuer Zeit (Trajes e utensílios da cidade, do campo e de guerra dos povos dos tempos antigos e modernos) de cada um dos autores.

O trabalho é apresentado de forma cronológica e dividido por temas, revelando o percurso da moda através dos séculos e detalhando os estilos do vestuário e dos acessórios. As ilustrações revelam as variações das formas, modelos, cores e cortes em cada época, e as referências cruzadas chamam a atenção para motivos recorrentes presentes até hoje. A promessa para o leitor é de uma viagem pela história da indumentária, da Antiguidade e do Império Romano aos trajes típicos da África, Oceania e Américas.

O livro, organizado por Melissa Leventon, traz textos de especialistas em moda, acompanhados por citações da época que revelam o impacto que cada estilo exerceu em seu tempo. Apresenta ainda um capítulo exclusivo sobre acessórios e um abrangente glossário.

Ficha Técnica:

Capa Vestuario.inddHistória Ilustrada do Vestuário

Autora: Melissa Leventon (organizadora)

Editora: Publifolha

352 páginas

R$ 69,90

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Romance A Cor Púrpura é relançado no Brasil

A primeira vez que li A Cor Púrpura tinha 13 anos e peguei o livro, de bobeira, sobre a cama da minha mãe. Comecei a folhear e não larguei até terminar. Alguns anos mais tarde, reli depois de assistir a versão para o cinema, dirigida por Steven Spielberg e com uma inspiradíssima Whoppi Goldberg no papel principal. Inesquecível!

Whoopi Goldberg em A Cor Púrpura. Atriz vive a protagonista da história, Celie, uma mulher que escreve cartas para Deus
Whoopi Goldberg em A Cor Púrpura. Atriz vive a protagonista da história, Celie, uma mulher que escreve cartas para Deus

Pois não é que o passado voltou a bater na minha porta e dessa vez via email? Sabendo da minha paixão incontida pelos livros, os amigos vivem me passando todo tipo de notícia literária que aparece. Uma informação genial, recebida hoje, é que a editora José Olympio acaba de relançar uma nova edição de A Cor Púrpura, da escritora americana Alice Walker e que estava fora de catálogo. O meu, quer dizer, o livro que minha tia emprestou para minha mãe e do qual tomei posse mais de vinte anos atrás, continua aqui na estante, velhinho coitado, com as páginas amareladas de tanto manuseio. Para quem nunca teve a oportunidade de ler este livro, taí uma chance imperdível. Pode ser também a minha oportunidade de presentear titia com um exemplar novinho!

Quis escrever sobre  A Cor Púrpura – vencedor do prêmio Pulitzer, um dos mais importantes do mundo – porque nenhum livro é tão parecido com uma “conversa de meninas” quanto esse. O romance de Alice Walker é comovente, delicado, áspero, intenso, de chorar e de rir em cada uma das suas páginas. O livro conta a trajetória de Celie, uma mulher negra americana, bastante sofrida e reprimida, que se descobre a partir de uma amizade improvável – Sug Avery, a amante de seu marido, uma famosa cantora de cabaré, torna-se sua grande aliada, confidente, e a única pessoa capaz de fazer Celie revelar a grande mulher que estava escondida pela violência e humilhações sofridas desde a infância. Além das histórias pessoais destas mulheres, o romance é um panorama lúcido e esclarecedor sobre o racismo.

Alice Walker, intelectual, militante e sobretudo, uma mulher que tem muito sentimento a revelar
Alice Walker, intelectual, militante e sobretudo, uma mulher que tem muito sentimento a revelar

O livro foi publicado pela primeira vez, nos Estados Unidos, em 1983 e logo tornou-se um grande sucesso de público e crítica. Em 1985, Steven Spielberg dirigiu a adaptação do romance e a própria Alice Walker assinou o roteiro. Esta é sem dúvida uma das mais bem sucedidas adaptações da literatura para o cinema. O filme transformou o livro em mito e ele foi traduzido para mais de vinte idiomas. A edição que eu não devolvi para titia era de 1986 – a primeira edição lançada no Brasil. Só vi o filme na TV nos anos 90, quando reli a obra. De lá para cá já reli outras tantas vezes e cada vez me surpreendo mais com a capacidade de Alice Walker de falar das e para as mulheres de qualquer lugar do mundo e de qualquer cor, posição social, religião…

Escrito em forma de diário, melhor dizendo, de cartas que Celie escrevia para Deus, o livro é um libelo aos direitos humanos e ao respeito mútuo, uma celebração da união e da solidariedade entre as mulheres, que surge sempre nos momentos mais dramáticos da vida; e, principalmente, uma bandeira levantada contra o racismo e toda torpeza dos preconceitos sociais.

A autora Alice Walker nasceu na Georgia, no sul racista norte-americano. Ela é reconhecida internacionalmente por sua participação em movimentos pelos direitos civis, principalmente das causas negra e feminina. Além de romancista premiada, é autora de contos, ensaios, poemas e vários livros infantis. Atualmente, Walker vive na Califórnia.  Sou fã de carteirinha dos seus escritos e desta grande mulher!

Conversa de Menina recomenda:

A cor púrpura

Autora: Alice Walker

Tradução: Betúlia Machado, Maria José Silveira e Peg Bodelson

Ed. José Olympio / Grupo Editoria Record

336 páginas

R$ 38,00

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Abuso sexual de crianças, vergonha nacional

pedofiliaEstava hoje em um consultório médico e comecei a folhear uma revista. Era de maio deste ano, mas o tema da reportagem de capa, o abuso sexual contra crianças e adolescentes, continua muito recente e recorrente, para a vergonha deste país. Diariamente, basta abrir as páginas policiais dos jornais  para se deparar ao menos com uma nota do tipo: “padrasto é preso por abusar de enteada” ou “pai estupra a filha”. É doloroso para quem tem filhos pequenos pensar que existem crianças que não encontram abrigo e proteção dentro de casa, que são traídas por aqueles em quem deviam confiar. Sim, porque o abusador na grande maioria dos casos é alguém muito próximo da criança. O pai, ou irmãos, primos mais velhos, tios, padrastos, vizinhos, amigos da família que se aproveitam da proximidade e da confiança que as crianças têm neles para violentá-las. E a pedofilia na internet? Cresce assustadoramente e as pessoas simplesmente acham que clicando em outros sites se livram do problema. Sem contar que, nos casos em que a violência resulta em gravidez, muitas vezes de meninas de nove, dez anos de idade, se discute mais se é cristão ou moralmente correto um aborto do que o fato de que uma criança foi molestada, estuprada e ainda corre risco de vida.

Já falamos da violência sexual aqui, bem no início do blog e ao menos uma vez por mês, temos um post sobre violência doméstica. E é em tom de campanha mesmo, pessoal. Como mulher e mãe, não posso deixar de defender essa bandeira. Infelizmente, são temas que ainda precisam ser abordados com campanhafrequencia, que não podem, não devem ser empurrados para baixo do tapete. Cabe a nós, cidadãos, cobrarmos para que a lei seja mais rígida na hora de punir o abusador e o estado mais responsável para acolher a vítima. Não basta apenas garantir que o nosso filho navegue em páginas seguras, isso é imprescindível, mas somente quando começarmos a nos preocupar também com os filhos dos outros vamos ser uma sociedade evoluída. O acolhimento é fundamental para reconstruir o emocional dilacerado de quem sofre abuso. Pensem nas marcas que essas crianças irão carregar pelo resto da vida e no que elas podem se transformar devido a esse trauma. Muito tem se falado do tema abuso ultimamente, devido as excentricidades do cantor Michael Jackson, morto em junho passado. O comportamento do artista ao longo da vida sempre foi associado aos maus-tratos e abusos sofridos na infância. Mas, vamos olhar, por minuto que seja, para  vida real e não para o faz-de-conta da vida de um astro pop. Vamos esquecer um pouco as notícias dos tabloides ingleses ou americanos e pensar no drama de uma criança que mora aqui mesmo no Brasil, no nosso Estado, que pode até ser nossa vizinha de porta. Vamos pensar na humilhação que essas crianças sofrem, na dor que carregam para o resto da vida, na falta de confiança em si mesmas e nos seus semelhantes, no fato de que, quando uma criança é ferida e cresce traumatizada, a esperança do que ela poderia vir a ser e  a esperança do que nós, como sociedade, poderíamos vir a ser, morre. Que Michael Jackson descanse em paz, mas que todos nós, cidadãos, não tenhamos descanso na campanha contra a violência!

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Leia também os posts:

>>Violência que faz calar, publidado em fevereiro

>>Internet segura, controle o acesso dos filhos, publicado em fevereiro

>>O que estão fazendo com nossas crianças? Publicado em 03 de julho

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Livro traz relatos de vítimas de abuso sexual

“A violência sexual, seja estupro ou atentado violento ao pudor, é um problema constante na vida de muitas mulheres de todas as idades, raças, tradições e religiões. Por isso a importância de abordar esse assunto. A idéia é fazer o tema ser lembrado com freqüência na mídia e no diálogo das pessoas, porque, quanto mais se fala sobre uma determinada problemática, mais a sociedade e as autoridades competentes se sensibilizam a debater e buscar soluções cabíveis para a questão.”

Assim inicia a narrativa do livro Cicatrizes – Relatos de Violência Sexual, da jornalista e artista plástica paulista Dalila Penteado.

A publicação, além de depoimentos comoventes, reúne dados atualizados sobre o problema no Brasil.

A autora nos conta o drama de mulheres como Girassol (nome fictício), que junto com o namorado e duas amigas, foi torturada e estuprada. Cicatrizes ainda traz um pingue-pongue com Sidney Barbosa, coordenador do setor de Artes Forenses da Delegacia Geral de Polícia de São Paulo, responsável pelo retrato falado do ‘Maníaco do Parque’; e compila notícias atualizadas sobre casos de violência contra mulheres e crianças na atualidade. O livro detalha também o funcionamento do Disque-Denúncia — o Disque 100 — destinado às vítimas de violência sexual que, muitas vezes, sem informação, acabam silenciando.

Ficha técnica:

cp_cicatrizes_gdeCicatrizes – Relatos de Violência Sexual

Autora: Dalila Penteado

Editora: Palavra&Prece

192 páginas

Preço sugerido: R$ 24,90

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Links úteis:

>>Campanha Nacional de Combate à Pedofilia na Internet

>>Safernet Brasil – ong de proteção aos direitos humanos na internet

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Brasil do século XVI inspira romance Vida de Mulheres

A escritora Carmen Sanchez Gil foi buscar nas origens da colonização, a fonte de inspiração para escrever Vida de Mulheres, seu terceiro livro, lançado recentemente pela editora Olcana. Para quem gosta de história, é uma leitura interessante, pois mostra o desbravamento do Brasil selvagem, recém descoberto e prestes a ser colonizado, sob o olhar feminino. Trata-se de um romance, com todos os elementos de uma história de ficção, mas não deixa de ser baseado em situações comuns no período.

Mulheres ColôniaGeralmente, a história da colonização só é contada pela ótica masculina, principalmente porque nas origens do nosso país, boa parte das mulheres que aqui chegaram vieram por obrigação: ou porque seguiam os maridos, militares portugueses, donatários ou sesmeiros com a tarefa de povoar a colônia e dela extrair riquezas para Portugal, ou eram órfãs mandadas para o país pela Coroa, para se tornarem esposas dos primeiros colonos.

escravas_rugendasAs outras mulheres que já viviam aqui quando da chegada dos portugueses, eram as indigenas. Boa parte delas foi estuprada e transformada em escrava. A partir de meados do século XVI, com o início do tráfico negreiro para o Brasil, as africanas também teriam o mesmo destino. A violência porém, embora caísse com muito mais força sobre as índias  e negras, não deixava de atingir as mulheres brancas, que enfrentavam desde os riscos da travessia do Atlântico (o que também acontecia com as africanas confinadas nos navios negreiros), até o casamento forçado e a violência doméstica. Inclusive, as sinhás – segundo Gilberto Freire detalha em Casa Grande & Senzala – costumavam se vingar dos maus-tratos sofridos dos maridos, nas escravas com as quais os senhores costumavam deitar. Além da violência sexual por parte dos donos dos engenhos, as mucamas sofriam também castigos físicos impostos pelas senhoras ressentidas. É de se imaginar onde estaria a solidariedade feminina naquele período? A resposta é que estava soterrada sob camadas de ódio racial. A solidariedade existia, mas entre os grupos étnicos, com raras excessões.

SOBRE O LIVRO: A história de Vida de Mulheres tem início em Granada – Espanha e narra à saga de Carmel, filha caçula da família Flores, proprietária de vastas terras produtivas. A época retratada enfoca uma sociedade oprimida por um regime desumano, onde imperam a violência, o machismo e o desrespeito.

A espanhola Carmel, dotada de uma personalidade forte, como convém às heroínas literárias, se interessa por histórias de países do outro lado do oceano. O Brasil com suas belezas naturais recém descobertas, aguça a curiosidade de Carmel, que decide casar-se com um militar português prestes a assumir um regime lucrativo em terras brasileiras.

No Brasil, longe da proteção familiar e casada com alguém que mal conhecia, Carmel vive o desamor e a decepção.  Volta-se então para outras mulheres com histórias de vida parecidas com a dela. Apesar de desvalorizadas pela sociedade de então, essas mulheres guardam uma inesgotável sabedoria interior.

A ideia do romance de Carmen Sanchez Gil é reverenciar o exemplo de luta pela liberdade, a criatividade,  a fibra e o talento femininos que possibilitaram que elas sobrevivessem àqueles tempos indomáveis e tornou-as capazes de grandes transformações sociais.

Trata-se de uma obra apaixonada e que, por partir do ponto de vista feminino, valoriza a participação das colonas brasileiras na formação do nosso povo e cultura. Vale pelo resgate de uma história que sempre foi contada por homens e em cuja narrativa as mulheres ocupavam notas de rodapé.

Ficha Técnica:

Vida de Mulheres_capaVida de Mulheres
Autora: Carmen Sanchez Gil
Editora: Olcana
465 páginas
Preço sugerido: R$ 39,90

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Leia também:

>>Artigo: Mulheres e educação no Brasil colônia (em pdf)

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Guia para mães e pais de primeira viagem

cp_ChegadaBebe_gdeSe você anda pensando em receber a visita da cegonha, vale a pena dar uma lida antes no livro Coisas que ninguém conta sobre a chegada do bebê, um divertido e realista guia de maternidade para marinheiras de primeira viagem, de autoria da educadora e advogada Gabriela Orsi, lançado este mês pela editora Palavra & Prece.

Autobiográfico, o livro é um diário escrito por alguém que, apesar da larga experiência como educadora – trabalhando com crianças – na hora em que se viu grávida, percebeu que as teorias aplicadas com os filhos dos outros não davam conta 100% da expectativa de dar a luz e muitos menos respondiam as incertezas ou diminuiam os sustos que acompanham a experiência.

Em tom leve, porém cuidadoso e sério, Gabriela mostra com bom-humor todas as dificuldades iniciais de cuidar de um bebê, não esquecendo de narrar aquelas cenas tragicômicas como quando a mãe caloura não sabe se atende ao telefone, à porta ou ao bebê se esgoelando no berço.

O livro é uma ótima forma ainda de jovens casais discutirem os papeis de cada um na relação ao deixarem de ser só marido e mulher, para se tornarem também pai e mãe. A autora fala com bastante intimidade das mudanças enfrentadas por um casal com a chegada do primeiro bebê. Como a própria autora apresenta, trata-se de uma “obra baseada em fatos, fraldas e mamadeiras reais”.

Ação social – Parte da renda obtida com a venda de Coisas que ninguém conta sobre a chegada do bebê é revertida para o projeto Ilumina, iniciativa da associação sem fins lucrativos que leva o mesmo nome, em São Paulo. O Ilumina abrange a instalação de uma Unidade de Prevenção e Diagnóstico Precoce de Câncer, para atender 26 municípios.

Quem é quem:

GabrielaGabriela Cancilieri Orsi, paulista de Piracicaba, é casada e mãe de uma filha. Formada em magistério, trabalhou durante anos na educação de crianças na Rede Salesiana de Ensino. Em 1999 graduou-se em Direito e é pós-graduanda em Direito Comercial. Foi agraciada com certificado pela Universidade de Missouri, reconhecido pelo departamento de Justiça Criminal dos EUA, e participou da formação da primeira Associação de Estudos Forenses da América Latina, em Córdoba, Argentina.

Ficha técnica:

Coisas que ninguém conta sobre a chegada do bebê

Autora: Gabriela Orsi

Editora: Palavra & Prece

122 páginas

Preço sugerido: R$ 22,00

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Leia também:

>>A mãe de quem!? – uma crônica em homenagem às mães

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