Refletindo a feminilidade

O que é sinônimo de feminilidade para você? Em uma discussão sobre o assunto com uma amiga, muitos pontos a respeito do conceito de ser feminina vieram à tona e achei bem interessante abrir espaço para a discussão aqui no blog. O lugar-comum da feminilidade é imposto socialmente. O ser feminino é vendido nas páginas de anúncios, nos comerciais de tv, nos folhetins. Hoje, há um conceito muito homogêneo em torno do tema. No bate-papo com essa amiga, chegamos a refletir sobre a pouca variedade de estilos femininos na tv, por exemplo. Da empregada doméstica à luxuosa integrante da alta sociedade, a feminilidade é descriminada em características bem semelhantes, eu diria até iguais.

O conjunto do moderno ser feminino reúne itens como o salto alto (servem as sapatilhas românticas e as sandalinhas delicadas também), a maquiagem (ainda que básica), os acessórios e a roupa incrementada (que não exige necessariamente brilhos e paetês). O cabelo também precisa estar em dia (sim, até os cachos desajeitados que surgem por aí são resultado de horas em salões de beleza). O desajeitado de descuido, de falta de tempo para pentear, esse não vale. E não é só no mostrar-se ao outro (= aparência) que encontramos a fórmula exata (???) da feminilidade. É preciso ter um certo comportamento também, que exige delicadeza nos gestos e nas palavras. A mim, me parece querer enfiar a mulher em uma caixinha e atarrachá-la, aprisionando-a em um universo de regras rígidas e descabidas.

O que penso da feminilidade vai além do negócio mercantilista que virou a expressão “ser feminina”. Para ser feminina, não é preciso se adequar a estes parâmetros que temos por aí. É possível esbaldar feminilidade dentro de cada estilo que a mulher decide adotar. Eu acredito que o problema da aceitação social fortalece ainda mais esse paradigma. O diferente é excluído, há sempre uma dificuldade maior de se entrosar em um grupo. E isso vale também para aquelas mulheres que optam por um visual mais alternativo, que está fora das páginas das revistas de moda. É importante transmitir a ideia de que não precisamos abrir mão do nosso estilo para que sejamos consideradas “mais mulher”. Se nós, mulheres, não entendermos a importância disso, vamos apenas propagar uma visão discriminatória do assunto.

O estilo é importante até para a moda. Dá um ar de individualidade dentro deste universo de “iguais”. O estilo é como uma digital, uma marca registrada. É o que nos dá identidade própria, que nos singulariza. Ele é fundamental. É importante respeitar o estilo, compreender cada mulher dentro do contexto em que se insere, pelo que ela defende e acredita. Isso é ser feminina, ainda que o batom (ou o gloss) não esteja colorindo o rosto, ainda que a sobrancelha esteja por fazer e que os cabelos não vejam o salão há algum tempo. Ainda que o tênis seja sua opção diária, combinado com uma calça jeans de corte comum e sem adornos. Ser feminina está acima de tudo isso. E nós não podemos permitir que deturpem também este conceito.

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